Nenhum português ignorará que a 25 de Abril de 1974 aconteceu algo de muito importante no nosso país: o alcance da tão desejada Liberdade.
Ao fim de quase meio século de ditadura, represálias, torturas e perseguições, as Forças Armadas revoltaram-se contra o Estado Novo. Portugal tinha vivido, até então, sob um regime ditatorial regido por António Salazar. Este era uma pessoa fria e astuta, que foi eliminando todos os que poderiam ser uma ameaça para si.
O regime instalado em Portugal nesse tempo era muito severo. Não se podia falar, pensar ou agir contra Salazar e os seus, pois eles criaram a Censura. Todo aquele que o tentasse era preso pela polícia política, a PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), e torturado. A PIDE reprimia a oposição e vários foram os presos políticos e muitas as torturas sofridas. A tortura do sono, da estátua, espancamentos e isolamentos eram as torturas mais usadas. Alguns presos eram mandados para o campo de concentração do Tarrafal, na ilha de Santiago, em Cabo Verde, onde eram obrigados a trabalhar de sol a sol e, como se não bastasse, foi construída a célebre «Frigideira», mais um local de torturas desumanas… Muitos foram aqueles que deram a vida pela liberdade, não só em Cabo Verde, mas também em Caxias e noutros locais…
O Estado Novo cultivou o nacionalismo (os principais valores para Salazar eram: Deus, a Pátria e a Família) e o colonialismo. Durante vários anos, Portugal enviou soldados para combaterem pelas nossas colónias (Angola, Guiné e Moçambique). Muitos desses soldados morreram lá, outros voltaram muito feridos e alguns sobreviventes ainda hoje sofrem de problemas psicológicos devido à guerra, marcas que nunca os abandonaram.
Mas a 25 de Abril de 1974, as Forças Armadas Portuguesas revoltaram-se e decidiram lutar contra o regime ditatorial e contra as guerras coloniais. Esta foi uma luta sem sangue e uma batalha ganha!
Tendo como senha a canção de Zeca Afonso «Grândola, Vila Morena», os Capitães de Abril iniciaram esta missão, a mais importante das suas vidas. Ao fim de 48 anos de ditadura, estes militares conseguem, finalmente, alcançar a liberdade e expulsar do país Marcelo Caetano (homem que substituiu Salazar no ano de 1968) e impor uma constituição democrática.
Todos nós temos que agradecer a homens como, Salgueiro Maia, Otelo Saraiva de Carvalho, Melo Antunes, Rosa Coutinho, António de Spínola, Vasco Gonçalves, entre muitos outros.
E como não poderia deixar de ser, por detrás de um grande homem há, sempre, uma grande mulher! Mulheres estas que ninguém conhece, mas a quem também devemos muito… As esposas dos nossos homens de Abril também ajudaram na revolução, ocultando as reuniões, apoiando-os e dando-lhes força ou, apenas, assobiando para o lado como se nada se passasse… Para elas também o nosso muito obrigado!
25 de Abril, talvez o feriado mais importante para o país, mas, com toda a certeza, um dia que ninguém esquecerá.