Jesus Cristo
Os feitos e a mensagem de Jesus de Nazaré (nascido por volta do ano 7 a. C., morto cerca de 30 d. C.) estão registados no Novo Testamento.
De acordo com os registos bíblicos, a sua concepção e nascimento rodearam-se de acontecimentos milagrosos. Legalmente, era filho de José, carpinteiro de Nazaré, mas os seus seguidores crêem que tenha sido concebido sem mácula por Maria, sua mãe (desde então tem-se ignorado o facto de que, na altura e no local, se considerava que a virgindade só terminava com o nascimento do primeiro filho).
De acordo com a tradição, nasceu em Belém e aprendeu o ofício do pai. Apenas são recordados alguns incidentes isolados antes de se ter tornado num homem público. Durante a sua vida, a Palestina vivia subjugada pelo reinado dos três filhos de Herodes e pela opressão dos procuradores romanos. Jesus, após ter sido baptizado nas águas do rio Jordão, vagueia pelos territórios na companhia de 12 discípulos, apregoando a reforma religiosa e o amor divino, acreditando no poder do perdão e praticando o ascetismo. São-lhe atribuídos muitos milagres, mas os seus ensinamentos despoletaram o descontentamento dos fariseus e das classes privilegiadas.
Após a última ceia com os discípulos, foi traído por um deles, Judas Iscariote, e preso pelos romanos. É considerado culpado de sacrilégio pelos sumo-sacerdotes e entregue ao aparelho judicial romano, na pessoa de Pôncio Pilatos. Jesus é condenado, como se fosse um vulgar criminoso, à morte na cruz.
Buda
Buda viveu no século VI antes de Cristo, na Índia. A crença ou religião que preconiza é de uma grande profundidade espiritual, semelhante em muitos aspectos à dos cristãos.
Siddhartha Gautama nasceu no seio de uma família aristocrática, nas encostas dos Himalaias, e viveu durante algum tempo rodeado de abundância. No entanto, ao observar os indigentes e os doentes, compreendeu que a sua existência não era totalmente genuína. Começou, então, a sentir a necessidade de aprofundar o mistério da vida.
Um dia resolveu despojar-se de todos os seus bens e percorrer a Índia para meditar entre os sábios e os filósofos. No caminho encontrou um mendigo e trocou com ele as suas roupas, envergando os andrajos do outro.
Com os mestres aprendeu que o jejum e a oração eram necessários para alcançar a perfeição espiritual, mas concluiu que esse não era o verdadeiro caminho da sabedoria. Decidiu, então, dedicar-se à pregação da verdade. Em breve, começou a atrair numerosas pessoas, que acorriam para o ouvir.
Por que não se é feliz? - perguntava a si mesmo. Porque queremos saciar todos os nossos desejos, porque vivemos permanentemente obcecados em realizar as nossas necessidades. E assim a vida transforma-se numa busca incessante, numa dor constante.
Segundo Buda, o caminho para a paz espiritual é o da abnegação. O Nirvana é a serenidade da alma, o bem supremo.
Ao considerar que o homem era incapaz de sondar o insondável, Buda abandonou a polémica sobre a existência de Deus. Quando lhe perguntavam se Deus existia, afirmava que não o sabia.
Confúcio
K'ung-fu-tzu nasceu no reino de Lu, na província de Cantão, no ano 551 a. C., numa época de caos e anarquia. Oriundo de uma família nobre, mas destituída de bens, dedicou-se desde muito cedo à instrução dos seus concidadãos, tentando incutir-lhes o respeito pelos costumes ancestrais. Os seus ensinamentos baseavam-se numa ética social e, embora não tenha sido um líder religioso no sentido restrito do termo, a sua moral continua, desde há 2 mil anos, em vigor na China.
O confucionismo é um termo ocidental que designa uma visão do mundo, uma ética social, uma ideologia política e um modo de vida. A sua história não começa com Confúcio na mesma medida em que Buda é o fundador do budismo ou Jesus Cristo do cristianismo. Confúcio via-se a si próprio como um veículo transmissor de uma ordem ancestral com o objectivo de instituir uma nova ordem. A sua viagem pelo passado era uma procura das raízes nas quais se alicerçavam a cultura de um povo.
Contrastando com a sua influência, a vida de Confúcio foi pautada pela simplicidade. Dedicou toda uma existência ao ensino, pois acreditava que este era o meio ideal para transformar a sociedade e desejava que a educação se estendesse a todos os homens. Definiu a aprendizagem não só como aquisição de conhecimentos, mas também como uma forma de construir o carácter.
Após uma breve carreira política, optou pelo exílio ao constatar que os seus superiores não demonstravam interesse na política que preconizava. Apesar da sua frustração, foi acompanhado por um círculo crescente de estudantes e a sua reputação como homem de visão aumentou. Regressou a casa aos 67 anos para ensinar e preservar na escrita as tradições clássicas. Morreu em 479 a. C., aos 73 anos.