Fundador da Amnistia Internacional, Peter Benenson lutou sem tréguas pela defesa dos Direitos Humanos, cujo Dia Mundial se comemora a 10 de Dezembro.
Peter Benenson nasceu no dia 31 de Julho de 1921, em Londres. Neto de um banqueiro judeu de origem russa, Benenson nunca passou por grandes dificuldades materiais. A morte do pai, porém, obrigou-o a dar valor à vida.
Na escola, preocupava os professores devido às suas «tendências revolucionárias» e aos 16 anos organizou a sua primeira campanha para obter apoios para a causa dos órfãos republicanos da guerra Civil Espanhola. No entanto, a sensação de que poderia ter feito mais acompanhou-o para sempre: «Se há coisa de que me arrependo na vida é de não ter ido a Espanha participar na Guerra Civil.»
Quando se candidatou a Oxford, escolheu o curso que acreditava poder dar uma outra dimensão aos seus protestos: Direito. No entanto, quando se viu numa sala de audiências, apercebeu-se de que não seria assim.
Aos 39 anos, ao folhear um jornal, uma notícia chamou-lhe a atenção. Referia que dois jovens tinham sido presos pelo regime de Salazar por brindarem à liberdade num restaurante de Lisboa. Ao lê-la, Benenson sentiu-se mais impotente do que nunca. Irritado, percorreu as ruas de Londres durante horas, até concluir: «Se uma pessoa isolada protestar, a influência será insignificante mas, se muitas pessoas se reunirem, a pressão terá que surtir efeito.»
Nessa mesma manhã escreveu um artigo de protesto e apelo, intitulado The Forgotten Prisoners (Os Prisioneiros Esquecidos), que foi publicado na edição de 28 de Maio de 1961 do jornal The Observer e conquistou a opinião pública. O governo de Salazar foi então inundado com pedidos de amnistia para os dois jovens.
Era o primeiro passo de um movimento que, em breve, atingiria uma escala mundial e se transformaria na mais conceituada organização de defesa dos Direitos Humanos: a Amnistia Internacional, que está hoje representada em mais de 150 países e tem milhões de membros em todo o mundo.