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Autor Tópico: Sócrates, Platão e Aristóteles  (Lida 547 vezes)
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« em: 11-03-2010 , 21:41 »

Sócrates

«Uma vida não examinada não merece ser vivida.»

O que sabemos sobre Sócrates devemo-lo ao trabalho dos seus contemporâneos: Platão, Xenófanes e Aristófanes. Nos diálogos de Platão encontramos um homem dotado de uma mente rigorosa, racional e inquisitiva, que questionava continuamente as crenças fundamentais das pessoas. A sua principal preocupação era levar os seus concidadãos a pensarem. O Método Socrático consistia em fazer perguntas e desvendar o que estava oculto em cada um, num processo denominado maiêutica. A filosofia de Sócrates exprimia-se por meio de diálogos e, na sua doutrina, a confiança na razão assume um papel central: «ninguém é mau voluntariamente», sendo o mal consequência da ignorância. O grande princípio é o conhecimento de si próprio.

Sócrates desempenhou um papel importante no Estado ateniense, fazendo parte do governo da cidade, mas em 403 a. C. foi acusado e declarado culpado de corromper a juventude e introduzir deuses estrangeiros em Atenas, tendo sido condenado à morte por ingestão de cicuta. Embora tivesse podido exilar-se, optou por beber tranquilamente o veneno e submeter-se a um fim doloroso.

Platão


Platão nasceu em Atenas, no seio de uma família aristocrática. Após a morte de Sócrates, abandonou a cidade. As suas viagens levaram-no ao Egipto, a Cirene e à Sicília. Quando regressou a Atenas, co-fundou uma escola que ficou conhecida por Academia, situada no Jardim de Academos. Aí se ensinavam os mais diversos assuntos, desde a Matemática à Biologia, da Filosofia à Astronomia.

A obra de Platão é, no início, uma continuidade dos temas socráticos, transformando-se, depois, num pensamento consistente e original.

Platão acreditava que as leis e os costumes deviam ser baseados em concepções filosóficas, pois só estas podiam originar uma comunidade humana alicerçada na justiça.

Em relação ao homem, define três estados da alma – a cólera, a paixão e a razão – e três estados da virtude – a sabedoria, a coragem e a temperança, – que se equilibram para construir a harmonia, a justiça. Em oposição aos sofistas, propõe um novo método: a dialéctica, ou arte de pensar, que vai das palavras às ideias. Estas constituem a própria essência, fundamento e modelo das coisas sensíveis e individuais. A ideia de Bem é o princípio absoluto.

Platão defendia que o conhecimento apenas pode ser de verdades eternas e imutáveis. Das matérias temporárias, do quotidiano, podemos ter crenças verdadeiras, mas não conhecimento. Este, quando genuíno, não é aprendido: as nossas almas passam por um ciclo de reencarnação e o conhecimento não é mais do que reminiscência, o recordar de um conhecimento anterior.

Aristóteles

De origem macedónica, Aristóteles foi discípulo de Platão. Aos 17 anos, após a morte do pai, foi enviado para Atenas, onde ingressou na Academia. Aí permaneceria durante cerca de duas décadas, primeiro como aluno e depois como professor. De regresso à Macedónia, tornou-se tutor de Alexandre Magno. Quando este ascendeu ao trono, Aristóteles fundou a sua própria escola em Atenas, num local chamado Liceu.

As obras de Aristóteles, a maior parte das quais não chegaram até nós, incluem diálogos, dissertações populares e ensaios eruditos. Foi o primeiro a dividir os temas de reflexão da forma como ainda hoje o fazemos e a abordá-los sistemática e racionalmente.

Ao contrário de Platão, acreditava que a filosofia se devia basear naquilo que nos é dado a conhecer através da observação. O seu projecto de uma investigação sistemática dos fenómenos naturais que, não se restringindo a ciências como a biologia ou a astronomia, abarcava também a história, a psicologia, a linguagem, a ética e a política, marca o nascimento da ciência empírica.
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