Os complexos de Édipo e de Electra fazem com que os sentimentos das crianças se dirijam para o progenitor do sexo oposto.
Entre os dois e os cinco anos, segundo Sigmund Freud, as crianças desenvolvem fortes sentimentos de afecto, quase adoração, pelo pai no caso das meninas e pela mãe no caso dos meninos.
Durante esta etapa - denominada como etapa Edipiana - de um modo inconsciente, é natural que o menino queira usurpar o lugar do pai junto à sua mãe e a menina o lugar da mãe junto ao seu pai.
Todas as crianças atravessam esta etapa com mais ou menos intensidade e sem traumas, desde que os progenitores não alimentem estes sentimentos e tenham a família bem estruturada com papéis bem definidos. Para entender as crianças é necessário que os pais percebam o momento em que estão a atravessar esta etapa.
Os pais devem estar preparados para que a criança comece a ter momentos de ternura excessiva pelo pai ou mãe e pronuncie frases como:"Mamã, tu és a minha namorada", "Quando for crescido quero casar contigo", "Amo-te muito", "Vamos sair só os dois", "Porque não ficas aqui a dormir comigo? O papá não tem medo" ou "Papá, ajuda-me tu a vestir", "Papá, leva-me tu à escola", "Só gosto de ti, a mamã é feia".....
As aproximações físicas
Para além das demonstrações verbais, as crianças podem também apresentar outras manifestações que, muitas vezes, desorientam os pais.
As meninas demonstram todo o seu encanto e enlevo pelo seu progenitor, e tendem a apoiá-lo em tudo. Com o seu afecto, beijos, abraços tentam fisicamente estar sempre próximas.
Quanto aos meninos, tentam prender a atenção materna com as mais diversas habilidades. Defendem a mãe em qualquer confronto familiar e podem mesmo apresentar uma certa agressividade com os seus progenitores.
Durante esta etapa, é natural que as crianças - menino ou menina - quando vêem os pais juntos, como por exemplo, sentados a ver televisão no maple da sala, tentem sentar-se no meio deles. Pode também acontecer, fazerem algumas tentativas para dormir na cama dos pais, para estarem junto do elemento que é durante esta etapa objecto de toda a sua atenção.
Compreensão e carinho
Para ultrapassar de forma saudável esta fase é necessário que os pais estejam conscientes do seu papel como pais e não entendam o amor exagerado dos seus filhos como um amor natural.
Desta forma, deverão prevenir algumas situações, de modo a não criarem equívocos que podem vir a originar confusões no imaginário das crianças.
O casal deve manter-se unido e evitar qualquer tipo de discussão à frente das crianças.
Deve tomar as decisões no que respeita a permitir ou negar algo, sempre em conjunto.
Deve transmitir as suas decisões à criança sempre em conjunto.
Deve evitar ficar a dormir no quarto da criança, mesmo que ela diga que tem medo ou esteja doente.
Conflitos familiares
No caso de conflitos regulares entre o casal, os pais devem evitar os desabafos e confidências com as crianças pois, essa atitude pode afectar, no futuro, o seu comportamento e personalidade.
Muitas vezes, os pais fazem dos filhos pequenos confidentes, e depois de uma briga, são capazes de dizer:"É impossível viver com o teu pai/mãe!", "Estou farta de o/ a aturar!", "Qualquer dia saio de casa!", "Se vivêssemos só os dois éramos mais felizes!", "Vou contar-te um segredo. Não digas nada ao teu pai!"...
Este tipo de desabafos/confidências são despropositados e a criança pode entendê-los como resposta ao seu amor. Ela quer, agora, o pai/mãe em exclusivo para si e pode começar a odiar o outro progenitor.
Se por motivo de trabalho, doença ou até de separação, um dos pais estiver ausente, o pai presente não deve tomar atitudes que demonstrem ao filho que passou a ser “o homem da casa” ou que a filha tomou o lugar da mãe.
Por isso, não devem permitir que, na ausência do pai, a criança tome o seu lugar na cama do casal - um hábito muito comum entre as mães - ou que tome o seu lugar na mesa ou no sofá. Não devem permitir também que a criança os trate com exclusiva devoção.
A criança terá de gradualmente saber o seu lugar na família pois só assim ultrapassará a fase Edipiana e o seu desenvolvimento psicossexual terá um desenlace saudável.
DESTAQUES
-Entre os dois e os cinco anos, segundo Sigmund Freud, as crianças desenvolvem fortes sentimentos de afecto, quase adoração, pelo pai no caso das meninas e pela mãe no caso dos meninos
-Os pais devem estar preparados para que a criança comece a ter momentos de ternura excessiva pelo pai ou mãe
-Os meninos tentam prender a atenção materna com as mais diversas habilidades
-As meninas demonstram todo o seu encanto e enlevo pelo seu progenitor, e tendem a apoiá-lo em tudo