A partir dos 2 anos, é natural as crianças entrarem numa fase de obstinação e negativismo. É próprio desta etapa da sua evolução mas a verdade é que deixam os pais desesperados.
Nesta idade, as crianças encontram-se numa fase de autodeterminação e de identidade. Começam a entender que têm a possibilidade de decisão e de rejeitar uma ordem. Durante este período é necessário que os pais sejam compreensivos e consigam ultrapassar as diversas e múltiplas situações com muita calma e sem ralhos ou castigos.
Muito embora, perante algumas situações seja difícil uma atitude passiva, terá de encontrar algumas estratégias para ultrapassar as situações mais comuns. Se bem que cada criança tenha a sua maneira própria de agir, todas elas tendem a ser obstinadas quando se lhes pede alguma coisa ou se lhes exige uma tarefa.
As rotinas diárias
Quando chega a hora do banho e chama o seu filho com uma frase tipo "Vá, vamos tomar banho", é natural que a criança diga de imediato: "não quero!"
Aconselhamos a que mantenha a calma e sugerimos-lhe que em vez de lhe dizer “Anda, vamos tomar banho”; lhe diga “Estamos na hora do banho, queres tomar um duche ou banhinho na banheira?”.
Ao dar-lhe uma alternativa, ele sente que será ele a decidir e não vai dizer “não”. Vai ter de optar, consciente de que foi ele que decidiu. Se utilizar este procedimento, certamente conseguirá o seu objectivo - que a criança tome banho sem uma birra - e a criança o dela - decidir.
A mesma estratégia pode ser utilizada nas horas da refeição. Se lhe disser “Anda comer a sopa”, provavelmente vai dizer-lhe “Não quero!" ou "Não gosto." Pergunte-lhe calmamente “Queres primeiro a sopa ou o peixinho?”. “Queres uma maçã ou uma banana”?
O importante é que lhe dê opções para que a criança sinta que tem poder de decisão e não tenha hipóteses de dizer "não..."
Não faço! Não vou!
Se o seu filho esteve a brincar na sala ou no quarto e deixou os brinquedos todos espalhados, quando mandar arrumar os mesmos, antes de se deitar, utilize a mesma técnica. “Queres colocar os brinquedos no balde ou no baú?”. Em suma, dê-lhe sempre a possibilidade de ser ele a decidir. Quanto mais depressa o seu filho pensar que tem o controlo das situações, que a cada passo lhe vão surgindo, mais depressa ultrapassará esta etapa.
Lidar com uma criança pequena, negativa e obstinada, não é fácil. Todavia, os pais devem estar conscientes que a criança não procede assim por ser má ou desobediente. Este comportamento faz parte da sua normal evolução.
Situações sem opção
Embora o nosso conselho seja o de permitir à criança uma escolha, a verdade é que existem situações em que essa possibilidade deixa de existir. A criança vai entender que algumas coisas são decididas unicamente pelos adultos e que será a sua decisão a única a prevalecer. A saúde e a segurança da criança não permitem que esta decida e por isso nunca pode dar alternativas quando não existe alternativa. Os exemplos são vários:
- A criança tem sempre de se sentar na cadeira de segurança do automóvel. Não pode sair dela nem soltar o cinto.
- A criança tem de tomar os medicamentos, mesmo que tenham um sabor amargo.
- A criança tem de se deitar na sua hora, mesmo que os adultos fiquem a conversar com visitas na sala.
- A criança tem de andar na rua pela mão dos pais. Não pode andar "solta".
- A criança não pode brincar no jardim, num baloiço ou outro aparelho inadequado à sua idade.
Nestes casos, mesmo que o seu filho utilize o "não" como resposta, ignore-o. Tente não utilizar ameaças e mostre à criança que existem coisas que teremos de fazer, mesmo quando nos desagradam, pois se as não fizermos estaremos a colocar a nossa saúde em risco. Frases como "Eu sei que o remédio é muito amargo, mas faz muito bem e se não o tomasses não poderias ir para a escola" ou "Tens de te sentar na tua cadeira, pois a polícia não deixa a mamã arrancar com o carro se não o fizeres. A mamã também acha muito aborrecido mas tem de ser".
Como lidar com uma criança obstinada
Esta é uma etapa muito importante para a autodeterminação e a identidade do seu filho. Se possível, siga algumas destas regras e poderá evitar algumas birras e choros.
- Ignore o "não"
Se você castigar o seu filho por ele dizer "não", prolongará este comportamento e mais dificilmente a criança ultrapassará esta etapa.
- Não dê ao seu filho uma opção quando não houver nenhuma opção. Com a saúde e a segurança a decisão dos pais é indiscutível e soberana.
- Dê a seu filho outras opções. No entanto, se puder utilize apenas duas: leite com chocolate ou simples, iogurte ou batido....
- Não imponha demasiadas regras. Um maior número de regras, implica mais dificuldade no seu cumprimento.
- Seja o melhor modelo para o seu filho.
Evite responder ao seu filho com um "não"
Se o pedido do seu filho for razoável diga "Sim", se o pedido não pode ser satisfeito porque o momento não é o indicado adie a decisão e diga "Vou pensar".
Se o pedido do seu filho é irrealizável, diga "não", acrescente que lamenta e explique-lhe o motivo porque não vai poder satisfazê-lo.
DESTAQUES
Aos dois anos, os bebés começam a entender que têm a possibilidade de decisão e de rejeitar uma ordem
Os pais devem estar conscientes que a criança não procede assim por ser má ou desobediente
A saúde e a segurança da criança não permitem que esta decida e por isso nunca pode dar alternativas quando não existe alternativa
Se bem que cada criança tenha a sua maneira própria de agir, todas elas tendem a ser obstinadas quando se lhes pede alguma coisa ou se lhes exige uma tarefa