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Autor Tópico: Senso de justiça: mesmo os bebês entendem injustiça e compartilhamento  (Lida 5041 vezes)
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« em: 17-10-2011 , 10:09 »

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Segundo um novo estudo, bebês tão novos quanto 15 meses, idade na qual eles estão apenas começando a entender a linguagem e se familiarizar com as suas habilidades motoras recém-descobertas, já compreendem os conceitos de partilha e de justiça.
Os pesquisadores também descobriram que as crianças têm diferentes “personalidades”, com algumas ficando chocadas pela injustiça e outros com a partilha igual.
“Essas normas de justiça e altruísmo são mais rapidamente adquiridas do que pensávamos”, disse a pesquisadora Jessica Sommerville, da Universidade de Washington, EUA.
“Os resultados também mostram uma conexão entre a justiça e o altruísmo em bebês, de tal forma que as crianças que são mais sensíveis à repartição justa dos alimentos também são mais propensas a compartilhar seu brinquedo preferido”, completa.
Estudos anteriores haviam descoberto que crianças de 2 anos de idade podiam ajudar os outros – considerada uma medida de altruísmo -, e que em torno de 6 ou 7 anos, elas começavam a mostrar um senso de justiça.
Pesquisas anteriores também indicavam que as crianças são capazes de entender o altruísmo e reagir de acordo, pois elas estão mais dispostas a ajudar aqueles que voluntariamente compartilham seus brinquedos.
Para ver quando esses traços de partilha e de equidade começavam a aparecer, os pesquisadores mostraram vídeos a 47 bebês, de um adulto dividindo ou não biscoitos ou leite entre dois outros adultos.
Os pesquisadores observaram as reações dos bebês aos vídeos para o que é chamado de “violação de expectativa”; quando os bebês são surpreendidos por algo, eles tendem a olhar mais tempo para esse algo.
Em média, os bebês assistiram aos vídeos com a partilha desigual com mais atenção, mas alguns ficaram mais surpresos do que outros.
A equipe também testou a vontade da criança de compartilhar, apresentando-lhes dois brinquedos e pedindo que os bebês escolhessem um. Um pesquisador então se aproximou da criança e perguntou: “Posso ficar com um?”.
Um terço das crianças passou para a pesquisadora o brinquedo que tinham escolhido, e um terço passou o segundo brinquedo. O terço restante não passou qualquer brinquedo, o que não significa exatamente que eles não estavam dispostos a compartilhar, pois eles poderiam estar nervosos em torno de um estranho, ou não ter entendido a tarefa.
Quando os pesquisadores compararam os resultados das duas experiências, eles descobriram que os bebês caíram em uma das três categorias.
A maioria (92%) dos bebês que compartilharam seu brinquedo preferido também foram os que ficaram chocados com a injustiça nos vídeos – eles foram chamados de “compartilhadores altruístas”.
Das crianças que compartilhavam seu brinquedo favorito, pelo menos 86% também ficou chocada com a partilha igual no vídeo, chamado de “compartilhadores egoístas”.
Segundo a pesquisadora, parece que a justiça pode até ser algo embutido em nossos cérebros; um estudo de 2010 mostrou que os centros de nosso cérebro reagem a divisão injusta de recompensas monetárias.
Embora a justiça possa ser um conceito arraigado, as nossas ideias de justiça parecem mudar à medida que envelhecemos.
Pesquisas anteriores mostraram que as crianças parecem gostar que tudo seja dividido igual, mas os adolescentes mais velhos são mais propensos a apreciar o mérito quando se trata de dividir a riqueza. Isso poderia ser devido a mudanças no cérebro e adaptação às experiências sociais.
Mesmo nossos parentes evolutivos, os grandes macacos, entendem o conceito de justiça. Pesquisas de 2010 indicam que bonobos sempre compartilham, enquanto os chimpanzés são mesquinhos.
Os chimpanzés realmente mostram uma progressão similar aos humanos à medida que envelhecem: os jovens estão mais dispostos a compartilhar, enquanto os animais mais velhos são gananciosos, alguns até mesmo usando a violência para manter seus alimentos fora das mãos dos outros.

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