A rentabilização dos meios de comunicação social através do recurso às plataformas online é considerada inevitável pelos vários responsáveis do sector dos media em Portugal. As divergências começam quando se começa a discutir a forma de o fazer.
O presidente do Observatório da Comunicação (Obercom), Gustavo Cardoso, sugeriu recentemente a criação de uma taxa a pagar na factura do serviço de Internet e a distribuir pelos fornecedores de conteúdos, como alternativa ao pagamento pelo acesso a conteúdos online.
A ideia, avançada pelo responsável em entrevista à Lusa, é semelhante ao que já acontece na factura da electricidade, que inclui a Contribuição para o Audiovisual, uma fonte de receita da RTP.
«Não conheço nenhum estudo em Portugal sobre esta questão mas se, na factura da Internet de casa, um euro for destinado a compensações para entidades que produzem os conteúdos, talvez seja mais rentável do que o pagamento directo», defendeu.
Jornais começam a querer cobrar conteúdos na Internet
No entanto, vários responsáveis do sector dos media mostraram interesse em começar a cobrar brevemente pelo acesso aos conteúdos, avança a Lusa.
No início de Dezembro, o presidente da Cofina, Paulo Fernandes, afirmou querer que o seu grupo seja o primeiro a cobrar pelo acesso online a conteúdos em Portugal, defendendo que a posição deve ser assumida em conjunto por todas as empresas do sector.
«Os grupos têm de estar unidos e coesos porque se um cobra e o outro não, não funciona», disse na altura o presidente do grupo que detém, entre outros, o «Correio da Manhã», «Jornal de Negócios» e a revista «Sábado».
Na Impresa, grupo a que pertencem a revista «Visão» e o semanário «Expresso», entre outros, foi criado em 2009 um grupo de trabalho para estudar o tema, mas até agora nenhuma decisão foi tomada.
Recentemente, o director de Planeamento Estratégico do grupo de Pinto Balsemão, José Freire, referiu que no futuro «as receitas de publicidade na Internet não vão chegar» e que «o caminho tem que ser nos conteúdos pagos».
Alguns exemplos em Portugal
O Expresso já funciona com assinatura. A edição impressa do semanário está acessível online para assinantes, assim como o desportivo «A Bola» e o «Diário Económico».
Também o «Público» cobra pelo acesso a alguns conteúdos. Apenas partes da edição impressa estão disponíveis a todos os leitores. Os editoriais, crónicas e artigos de opinião só podem ser consultados por assinantes do jornal do grupo Sonae.
Murdoch é pioneiro da teoria
O presidente do grupo editorial News Corporation, Rupert Murdoch, é, a nível internacional, o maior defensor da cobrança de acesso aos conteúdos online de jornais.
Ao longo do ano, o grupo a que Murdoch preside vai começar a cobrar pelo acesso aos conteúdos dos vários jornais que detém.
Além de vários títulos australianos, estão sob a alçada de Rupert Murdoch os britânicos «The Times», «The Sunday Times» e «The Sun», e os norte-americanos «New York Post» e «The Wall Street Journal», entre muitos outros.
Rupert Murdoch estima que os leitores deixarão de ler jornais em papel nos próximos 10 a 15 anos, hipótese que leva os responsáveis a ponderarem alternativas.