A Petroplus iniciou hoje o processo de insolvência e protecção de credores, uma acção que se estendeu às suas filiais na Alemanha e França, comunicou a empresa.
Na Alemanha, em Ingolstadt, a filial da Petroplus, que tem sede na Suíça, pediu a abertura de um processo de insolvência, tendo sido nomeado um administrador judicial, enquanto que em França, em Petit Couronne, a situação voltou a repetir-se.
Segundo a France Presse, as autoridades francesas estão a fazer uma investigação preliminar de falência fraudulenta na refinaria de Petit Couronne. A investigação foi aberta pelo procurador-geral de Nanterre sob a suspeita de que foram desviados da conta bancária da Petroplus-França cerca de 100 milhões de euros.
A empresa de refinação de petróleo participada por Patrick Monteiro de Barros não informou, no seu comunicado, o estado das restantes refinarias do grupo na Bélgica (Amberes), no Reino Unido (Coryton) e na Suíça (Cressier).
O empresário disse na quarta-feira que não abandonará a empresa enquanto for possível recuperá-la, apesar de esta ter declarado insolvência e ter pedido protecção de credores.
O empresário, que falava aos jornalistas no final da conferência do American Club em Lisboa, afirmou ter "por hábito nunca abandonar o navio", acrescentando que não é "como aquele senhor do Costa Concordia que quatro horas antes já estava na lancha".
Patrick Monteiro de Barros frisou que irá fazer "os impossíveis para tentar continuar a operar, só que os bancos optaram por uma estratégia que nos obrigou a declarar o 'chapter eleven' [Insolvência e proteção dos credores], adiantando que a empresa tinha fechado "este fim de semana um acordo com um grande produtor de petróleo para o abastecimento", não compreendendo a atitude dos
bancos a não ser que "eles próprios estejam com falta de liquidez".
A declaração de insolvência da Petroplus é para Patrick Monteiro de Barros "uma situação extremamente grave", até porque a empresa tinha "um projeto", refletindo "a situação catastrófica em que está a refinação na Europa".
Um estudo da consultora Wood Mackenzie, citado pela AP, refere que das 96 refinarias existentes na Europa em 2010, 29 não conseguiram gerar resultados positivos.
Na terça-feira, a Petroplus anunciou que não conseguiu um acordo com os seus credores para obter novas linhas de crédito no valor de 2 mil milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros), essencial para que as refinarias continuassem a produzir, e declarou insolvência.
Em dezembro, a Petroplus revelou que os bancos lhe tinham
'congelado' uma linha de crédito de mil milhões de dólares e a partir daí começaram os problemas.
A empresa liderada por Patrick Monteiro de Barros é a maior empresa independente de refinação de petróleo na Europa, com uma capacidade de produção de 667 mil barris diários nas suas cinco refinarias e cerca de 3 mil trabalhadores.