A EDP Renováveis registou lucros de 114,3 milhões de euros em 2009, um valor acima do esperado pelos analistas e que corresponde a um crescimento de 9,6% face aos 104 milhões de euros do ano anterior, anunciou a empresa em comunicado à CMVM.
A contribuir para este aumento esteve uma queda quer nos custos financeiros, quer na taxa efectiva de imposto, e também maiores amortizações relacionadas com novos megawatts, cujas receitas terão um impacto mais significativo a partir de 2010, salienta a EDPR.
As receitas ascenderam a 648,2 milhões de euros, contra 532,4 milhões em 2008, o que representa uma subida de 21,8%.
Quanto ao quarto trimestre de 2009, os lucros atingiram os 44 milhões de euros, uma quebra de 3% face aos 46 milhões do trimestre homólogo do ano precedente. No entanto, face aos três meses anteriores, registou uma subida de 867%, já que o resultado líquido da empresa liderada por Ana Maria Fernandes foi de 5 milhões de euros no terceiro trimestre do ano passado.
O Caixa BI salientou ontem que a EDP Renováveis deveria apresentar uma sólida “performance” operacional, com crescimentos elevados, apesar da quebra dos preços da electricidade. Numa nota de análise, a casa de investimento antecipava um aumento de 4% do resultado líquido para 109 milhões de euros. Um crescimento suportado pelo avanço de 24% do EBITDA, que previa que se saldasse em 542 milhões de euros.
O EBITDA da empresa “verde” do grupo EDP foi de 542,5 milhões de euros, contra 437,9 milhões um ano antes, o que constitui um ganho de 23,9% - em linha com o estimado pelo Caixa BI.
A margem bruta ajustada ascendeu a 724,7 milhões de euros, um aumento de 24,6% face aos 581,4 milhões registados em 2008, de acordo com o comunicado da EDPR. Esta subida reflectiu “não só o aumento na produção de electricidade para 10.907 GWh, mas também a gestão activa de risco da carteira de activos da EDPR, que permitiu a redução da exposição à volatilidade de preços de mercado” diz o comunicado.
Mais especificamente, do total de produção da EDPR, 84% estavam protegidos de risco de mercado, restando apenas 16% de produção exposta. O aumento da margem bruta, conjugado com níveis de eficiência elevados, levaram a um aumento de 24% no EBITDA e simultaneamente a uma margem EBITDA de 75%”, destaca o mesmo documento.
No ano passado, a cotada liderada por Ana Maria Fernandes instalou 1,2 GW, o que representou um crescimento de 23%, terminando 2009 com uma carteira de activos sob gestão de 6,2 GW, repartidos por sete países, salienta a empresa.
“Em 2009, a EDPR continua a apresentar um factor de utilização acima da média de mercado, ressalvando a elevada qualidade dos seus parques eólicos. Apesar de 2009 ter sido caracterizado por um baixo recurso eólico durante os primeiros três trimestres, a EDPR manteve um factor de utilização elevado, beneficiando de uma recuperação sólida do recurso eólico durante o quarto trimestre de 2009, com especial destaque para o mercado europeu. Consequentemente, a média total do factor de utilização recuou apenas um ponto percentual face a 2008, para 29%”, sublinha o documento enviado à CMVM.