A nacionalização do BPN foi há um ano e nove meses.
As aguardadas condições de reprivatização do Banco Português de Negócios (BPN) podem sair em breve. Depois de Carlos Costa Pina ter dito este fim-de-semana que o lançamento do concurso está por dias, esta pode mesmo ser a semana de aprovação em conselho de ministros do caderno de encargos da venda.
Têm sido vários os calendários avançados pelas Finanças que acabaram por não se concretizar. A última vez que foi adiantada uma data aconteceu em Março, por Fernando Teixeira dos Santos. O ministro das Finanças disse então esperar "muito em breve poder levar ao Conselho de Ministros os termos do concurso para essa privatização".
Desde que o decreto-lei da reprivatização do BPN foi aprovado no Conselho de Ministros de 19 de Novembro do ano passado que se aguarda pelo caderno de encargos que permitirá avançar com a venda do banco e que ditará os detalhes do que será vendido e como. No entanto, apenas no início de Julho chegou às Finanças a avaliação do BPN, feita pela Deloitte e Deutsche Bank. Segundo noticiou então o Jornal de Negócios, o valor base para a venda proposto pela administração do banco, liderada por Francisco Bandeira, estará entre 100 e 200 milhões de euros.
Este preço de base, sob o qual incidirão as propostas dos candidatos à privatização, não inclui imparidades, o que, tudo indica, confirma a elevada probabilidade de o BPN ser vendido sem "buraco" financeiro.
Como noticiou o Diário Económico em Março, o banco deverá ser vendido sem "maus activos", através da criação de uma espécie de "bad bank". Estes "maus activos", em que estão sobretudo imparidades na carteira de crédito concedido pelo BPN ou por subsidiárias, serão separados e concentrados num veículo cuja gestão terá por objectivo tentar valorizá-los e recuperar perdas. Essa gestão será feita dentro da esfera do Estado (em que a atribuição à Finangeste é uma hipótese) ou por privados. A assessorar a operação de reprivatização deverão estar o Deutsche Bank e a Caixa BI, banco de investimento do grupo CGD.
A separação pode não ficar por aqui. A privatização pode ainda implicar a transferência das participadas do banco para holding's, deixando apenas para concurso o negócio doméstico do BPN S.A.
De acordo com os últimos números disponíveis, o "buraco" financeiro do BPN somava, à data de 31 de Março, mais de dois mil milhões de euros. E um prejuízo de 216,6 milhões de euros.
Quanto a interessados no BPN, os potenciais candidatos conhecidos são o BIC, o grupo Domusvenda e o Montepio Geral. A OPA entretanto lançada por este último ao Finibanco pode comprometer este interessa. Ontem, em entrevista ao Diário Económico, Tomás Correia admitiu que o Finibanco cumpre parte da ambição do Montepio de reforço da presença na banca de empresas. E que uma hipotética compra do BPN geraria um excedente de mais de 100 balcões.