O provável congelamento da subida do salário mínimo para 500 euros em 2011 foi a principal novidade da entrevista concedida hoje, sexta-feira, pelo primeiro-ministro à RTP.
Questionado sobre a aplicação do acordo, assinado pelos parceiros sociais em 2006 e reafirmado ainda há poucos dias pela ministra do Trabalho, José Sócrates falou na necessidade de "uma solução negociada", adiantando que é preciso adaptar o compromisso à actual conjuntura económica.
O primeiro-ministro foi igualmente evasivo quando indagado acerca dos montantes a partir dos quais os salários sofrem um corte de 10%, mas negou estar previsto um novo aumento dos impostos, mesmo que as condições económicas se deteriorem ainda mais.
Numa entrevista destinada a explicar as medidas de austeridade anunciadas na quarta-feira, José Sócrates insistiu repetidas vezes na "coragem" necessária para adoptar medidas impopulares e revelou que o corte do subsídio de Natal nunca foi uma possibilidade, já que "afectava a vida das pessoas".
Além de negar o descontrolo da despesa pública - "está a cair lentamente", reiterou -, o chefe do Governo mostrou-se ainda esperançado de que os cortes anunciados "vão ser suficientes para restaurar a credibilidade junto dos mercados", atribuindo a desconfiança "ao efeito de contágio provocado pela situação da Irlanda".
Quanto ao TVG, reafirmou a "importância estratégica" e revelou que o troço Lisboa-Poceirão poderá avançar mal o clima económico melhore.