"No Brasil, uma operação conjunta entre a Polícia Civil de Santa Catarina e São Paulo e o Ministério Público acabou, ontem, com um esquema clandestino de venda de sinal de tevê por satélite. A central pirata funcionaria na casa de Valdevino do Amaral, em Joinville, preso em flagrante. O promotor Andrey Cunha Amorim afirma que o suspeito seria o maior fraudador do país em tevês pagas
Um homem foi preso, ontem, em Joinville, sob suspeita de comandar uma rede pirata de tevê por assinatura. A Polícia Civil diz que a ação de Valdevino do Amaral, 41 anos, pode ser considerada uma das maiores do Brasil ou da América Latina. Depois de preso em flagrante, ele foi levado ao Presídio Regional da cidade.
O delegado José Mariano Araújo Filho, da Polícia Civil de São Paulo, disse que Valdevino deveria estar há aproximadamente dois anos pirateando e vendendo sinais da Sky. Os clientes, segundo o policial, não eram só de Joinville. Moradores de outras cidades do Brasil e de países da América do Sul se valiam do golpe.
A operação, feita pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ministério Público, Polícia Militar e a Polícia Civil de São Paulo e Joinville, confirmou que Valdevino mantinha uma central clandestina para a distribuição do sinal na própria casa, no Bairro Fátima, em Joinville.
O suspeito, encontrado na residência, tinha sociedade com uma loja de produtos eletrônicos. No local, foram apreendidos equipamentos de informática, receptores, servidores, antenas e documentos. Do lado de fora, havia uma torre de 15 metros de altura usada para captar o sinal via satélite. O sócio de Valdevino não foi encontrado.
O promotor Andrey Cunha Amorim disse que o suspeito tinha três assinaturas kombo da Sky e que, com os cartões da empresa, decodificava o sinal e o distribuía para cerca de 5 mil usuários (detalhes na página ao lado). Com a assinatura pirata, Valdevino cobraria em torno de R$ 30 por cliente e chegava a faturar R$ 150 mil por mês, segundo a polícia. Os usuários pagavam o serviço por depósito bancário.
O delegado Dirceu Silveira Júnior, de Joinville, informou que as investigações vão continuar e que a polícia deve conhecer, com a apreensão dos computadores, todos os usuários da central clandestina.
– Os clientes podem ser indiciados por estelionato – afirmou o delegado.
A Sky foi procurada, mas não quis comentar o assunto por acreditar que crime é um caso policial e cabe ao delegado falar sobre o fato. A reportagem não teve acesso ao preso. Até ontem à noite, ele não tinha advogado."