Uma petição subscrita por alunos, licenciados e mestres em Gerontologia Social pede a regulamentação desta profissão e a criação do "estatuto do idoso". A petição vai ser analisada na quarta-feira pela Comissão de Segurança Social e Trabalho.
A Comissão Parlamentar de Segurança Social e Trabalho vai apreciar e votar a admissibilidade da petição, uma iniciativa de Ana Catarina Silva Vieira, aluna do 3.º ano do curso de Gerontologia Social, no Instituto Superior de Serviço Social do Porto.
A petição pretende, por um lado, “dar resposta ao crescente envelhecimento populacional e às concomitantes necessidades primárias de bem-estar social em todos os níveis em que é possível intervir e, por outro lado, garantir a formação e a empregabilidade dos licenciados e mestrados em Gerontologia Social”.
Os peticionários referem que as instituições e a sociedade civil desconhecem estes profissionais “enquanto especialistas” e que “as leis que regulam os regimes dos estabelecimentos e atividades dos idosos os ignoram e não os exigem como especialistas, com graves perdas para todos”.
Para os subscritores, os mais afetados são os idosos, que são muitas vezes sujeitos a “trato indigno nas mais variadas instituições”, e as escolas superiores que continuam a oferecer estes cursos.
Mas a situação “mais grave” é para os diplomados, que investiram na sua formação e não têm saídas profissionais, acrescentam. “Não se trata aqui de simplesmente reivindicar um posto de trabalho para todos ou para cada um dos gerontólogos sociais mas de, por um lado, defendendo o interesse público, coletivamente colmatar a reconhecida inadequação dos atuais profissionais adaptados à realidade complexa e exigente do idoso que conduziu aliás à criação dos cursos superiores de Gerontologia Social” e à subsequente formação dos profissionais, acrescentam.
Relativamente aos idosos, os peticionários referem que não dispõem de proteção adequada especial como ocorre com os menores, sendo necessário “dar-lhes um sentido de utilidade permanente à vida, afastando-os da solidão”.
Segundo os Censos 2011, o número de idosos a viver sós ou em companhia com outros idosos aumentou 28 por cento, passando de 942.594 em 2001 para 1,2 milhões em 2011. Os dados indicam ainda que o número de idosos a viver sozinhos aumentou 29% em Portugal nos últimos dez anos, uma subida idêntica (28%) à que se registou nos idosos que vivem exclusivamente com outros.
Os resultados dos Censos de 2011 mostram que a população idosa, com 65 ou mais anos, residente em Portugal é de 2,023 milhões de pessoas, representando cerca de 19 por cento da população total. Na última década o número de idosos cresceu cerca de 19%.