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Autor Tópico: Dismorfofobia, beleza obsessiva  (Lida 81 vezes)
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Neo
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« em: 12-01-2012 , 15:50 »


Aprenda a distinguir beleza saudável de obsessão pela beleza

 Desde sempre que o ser humano eleva a beleza. É verdade que a beleza  vende, motiva, inspira e traz benefícios.

Porém, a busca indiscriminada  de padrões inviáveis pode trazer prejuízos à saúde e à qualidade de  vida. A autoimagem pode ser definida como a visão que temos de nós  mesmos, o nosso “retrato mental” baseado em experiências passadas,  vivências e estímulos presentes e expectativas futuras.


 Inclui a forma, o tamanho, as proporções do nosso corpo e os nossos  sentimentos em relação à nossa imagem corporal. Esta avaliação depende  dos estímulos positivos e negativos que recebemos, dos padrões com os  quais somos confrontados, nomeadamente os valores culturais, os  estéticos, para além das nossas emoções e dos nossos sentimentos.


 A construção da autoimagem acontece através da aprendizagem,  começando logo na infância, ao interagir com as pessoas que são  importantes. O retorno verbal e não verbal que a criança recebe, tanto  positivo quanto negativo, contribui para a construção da sua imagem.


 A avaliação que faz de si própria resulta da avaliação que os outros  fazem dela. Uma avaliação errada produz comportamentos distorcidos. É  através da autoimagem que a mente avalia aquilo que o espelho reflete.  Mais importante do que ser ou estar é sentirmo-nos bonitos. A definição  de beleza é, sem dúvida, uma questão de autoestima.

 Dismorfofobia

 A Dismorfofobia, também denominada de Transtorno Dismórfico Corporal  ou Síndrome da Distorção da Imagem, é uma alteração da perceção e da  valorização corporal que consiste numa perturbação psicológica  caracterizado pela preocupação obsessiva com algum defeito inexistente  ou mínimo na aparência física.


 As pessoas com dismorfofobia têm frequentemente problemas em  controlar os pensamentos negativos acerca da sua aparência, mesmo quando  os outros garantem que estão ótimas. Causas As causas desta perturbação  são múltiplas, podendo estar associadas a questões biológicas,  psicológicas, sociais e culturais, atuando sobre uma certa predisposição  individual.
 

 A carência afetiva vivida na infância, a constante crítica destrutiva  ou mesmo uma brincadeira focando sempre uma determinada característica,  podem ser fatores de predisposição para esta perturbação, embora seja  no começo da adolescência que nos tornamos mais sensíveis às censuras,  comentários e comparações.


 Predisposição na adolescência


Na adolescência, o indivíduo ainda está em formação e os  comentários dos pais, dos familiares ou dos amigos assumem um enorme  significado, muito superior à repercussão que teriam num adulto. A  importância que se dá à beleza, mais excessiva entre os adolescentes, é  hoje exacerbada devido às imagens “perfeitas”, continuamente difundidas  pelos meios de comunicação.


 A obsessão pelo corpo é, sem dúvida, uma característica do nosso  tempo e o seu culto é cada vez maior. O adolescente tem uma grande  necessidade de se sentir belo e admirado, no entanto, a alta  competitividade da sociedade em que vivemos e o bombardeio publicitário  de modelos com corpos perfeitos, define padrões inatingíveis, podendo  provocar no adolescente uma avaliação da sua imagem distorcida e uma  diminuição da sua autoestima.


 Para além da enorme importância que é atribuída à opinião dos outros,  especialmente dos amigos, que é convertida num dos seus principais  pontos de referência, de aprovação ou de rejeição, seja ela real ou  imaginária. Estes dois fatores, quando mal vividos, podem contribuir  para uma preocupação excessiva com a imagem corporal.


Maturidade emocional


A gravidade do processo dismorfofóbico é ainda maior quando esta  preocupação excessiva persiste na idade adulta. Ao sair da adolescência,  o indivíduo deve possuir suficiente maturidade emocional e autoestima  para superar qualquer dificuldade motivada pelo seu aspeto físico e  poder relacionar- -se adequadamente com os seus semelhantes. Grande  parte destes problemas solucionam- se se o verdadeiro problema for  tratado, ou seja, a causa emocional que está na origem da imagem  corporal distorcida for resolvida.

 Sintomas de dismorfofobia

 Para que os profissionais de estética consigam mais facilmente  identificar esta perturbação nos seus clientes, aqui ficam alguns sinais  e sintomas de dismorfofobia para os quais devem estar alerta:


• Comparação frequente da sua aparência com a de outros;
• Pesquisa excessiva sobre a parte do corpo tida como “imperfeita”;
• Procura de cirurgia ou de outros cuidados, apesar das opiniões ou recomendações contrárias;
•  Procura de confirmação acerca do defeito percebido ou tentativas  constantes para convencer os outros de que é anormal ou excessivo;
• Recusa em frequentar circunstâncias sociais em que a “imperfeição” percebida possa ser notada;
• Recusa em tirar fotografias;
• Rituais elaborados para tratar da aparência;
• Sentimento de desconforto em público(fobia social) devido ao “defeito”;
• Tendência para sobrevalorizar a aparência física em prejuízo de outras competências;
• Uso das mãos ou postura para esconder o “defeito”;
• Uso de roupa excessiva, maquilhagem e chapéus para camuflar a “imperfeição”;
• Verificação repetida da parte corporal com “defeito” em espelhos ou outras superfícies refletoras.

Consequências da dismorfofobia

 A dismorfofobia causa grande ansiedade e stress, prejudicando com  frequência a vida social, já que têm dificuldade em conhecer novas  pessoas ou fazer amigos por causa do grande receio de que a sua  aparência física possa ser julgada de forma negativa. Para além do  desempenho na escola ou no trabalho ficar muitas vezes comprometido.


 Algumas pessoas com dismorfofobia tendem a procurar de forma  intensiva cuidados médicos desnecessários e excessivos e procedimentos  como a cirurgia estética, numa tentativa de corrigir ou melhorar  significativamente uma imperfeição real ou apenas percecionada pelos  próprios. Tais procedimentos conduzem muitas vezes a insatisfação e  podem piorar a sensação de imperfeição.


 O cirurgião plástico, assim como todos os outros profissionais da  estética, devem ter bom senso e a experiência necessária para encaminhar  estes casos de forma clínica, evitando a cirurgia, ou outros  procedimentos não invasivos, que inevitavelmente não agradarão ao  cliente visto as suas expectativas nunca serem atingidas, trazendo  inconvenientes para ambos.


 Se a dismorfofobia for severa, as pessoas podem abandonar a escola,  deixar o emprego ou evitar sair de casa. Nos casos mais severos podem  tentar o suicídio.

 Abordagem combinada como solução

 O tratamento é bastante difícil, pois grande parte dos pacientes não  aceitam o diagnóstico. A maioria justifica-se pela vaidade e  classifica-se positivamente quanto a cuidar da aparência. No entanto,  para o paciente, esta perturbação é fonte de grande angústia e  mal-estar. O primeiro passo do tratamento consiste no reconhecimento,  por parte do paciente, de que se trata de uma perturbação e de que há  tratamentos que a curam.


 O tratamento para a dismorfofobia pode envolver uma abordagem  combinada com medicação e psicoterapia, ajudando os pacientes a  ultrapassarem a imagem distorcida que têm da sua aparência física. Estes  dois tratamentos associados, quando bem conduzidos, produzem um  resultado muito positivo, podendo, assim, diminuir a ansiedade e a  obsessão, e aumentar a autoconfiança e a autoestima, fazendo com que o  paciente consiga alterar a sua auto-imagem e passe a ter uma vida com  menos sofrimento e mais feliz.


 A psicoterapia cognitivo-comportamental tem proporcionado bons  resultados. Numa primeira etapa, ajuda o paciente a perceber a  influência das suas crenças nas emoções e nos comportamentos,  identificando os erros de pensamento e a veracidade das autoavaliações  acerca da sua aparência física. Na etapa seguinte, ensina-se o paciente a  lidar com o problema, a culpa e a vergonha, modificando as formas  automáticas de pensar as situações sociais e as avaliações das outras  pessoas e de si próprio.
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