As artrites podem ter várias causas e são doenças diferentes nas crianças, nos adultos, nos atletas e nas pessoas idosas. Na verdade, hoje é possível classificar mais de 200/250 tipos distintos de artrites
Artrites e artroses são problemas de saúde que as pessoas geralmente atribuem ao envelhecimento. “Ah, com a idade vem o reumatismo”, queixam-se os mais velhos, quando sentem dores nas articulações ou apresentam alguma deformidade característica dessas doenças. Embora predominem nas pessoas acima dos 60/70 anos, crianças, jovens e adultos não estão livres de contraí-las. “A artrite reumatóide, por exemplo, acomete pessoas de qualquer idade. Atletas podem ter artrose, a febre reumática se manifesta especialmente em crianças”, explica o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo). |  |
Artrite em criançasCrianças podem apresentar algum tipo de artrite, principalmente, a partir dos três anos de idade. A artrite reumatóide é uma doença com evolução muito parecida nas crianças e nos adultos. Ela provoca inflamação nas articulações das mãos, joelhos e pés e pode progredir para deformidades, em qualquer faixa etária.
“A febre reumática, chamada no passado de artrite ou reumatismo infeccioso, é uma doença bastante referida na infância. Depois de mais ou menos dez dias após a criança ter tido uma infecção de garganta, suas juntas inflamam-se e tornam-se extremamente dolorosas. A febre, que era alta no início, fica mais leve ou desaparece e, em alguns casos, pode ocorrer um comprometimento cardíaco característico da febre reumática”, alerta Lanzotti.
Ao contrário da artrite reumatóide, que acomete mais as pequenas articulações das mãos e dos pés, a febre reumática acomete principalmente as grandes articulações: joelho, punho, cotovelo, ombro, quadril, tornozelo. A dor não é localizada: migra de uma articulação para outra e há o risco de a doença atingir o coração.
“Algumas crianças não têm o acometimento das articulações – o que torna o diagnóstico mais difícil – mas têm as complicações cardíacas, que podem passar despercebidas. Acredita-se que a criança teve uma dor de garganta que desapareceu em alguns dias, sem ter deixado seqüelas. Anos depois é detectado um sopro indicativo do comprometimento de uma válvula do coração provocado pela febre reumática e que não foi diagnosticado na época, por falta do acometimento das articulações”, explica o reumatologista.
Como infecções de garganta são comuns em crianças e podem ser provocadas por um resfriado, uma gripe, por viroses nas vias aéreas e por bactérias, os pais precisam estar sempre atentos. Quando existem placas de pus na garganta, sinal de infecção bacteriana, é necessário adotar medidas mais radicais.
“Se do ponto de vista clínico há suspeita de uma doença bacteriana deve-se tratar a infecção de garganta com antibiótico. Em relação à febre reumática, somente 3% das crianças desenvolvem a doença. O pediatra é quem decide se a infecção de garganta demanda tratamento imediato ou deve ser observada por mais tempo. No entanto, caso a criança já tenha desenvolvido um episódio de febre reumática, o antibiótico deve ser prescrito precocemente, pois uma infecção causada por estreptococos pode desencadear novos surtos da doença e aumentar a possibilidade de ocorrer lesão cardíaca”, observa Lanzotti.