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« em: 21-02-2010 , 19:45 » |
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As vitaminas são substâncias orgânicas necessárias em pequenas quantidades como coenzimas ou enzimas, em processos metabólicos distintos que são fundamentais para o funcionamento normal do organismo. Em condições normais, o seu aporte ao organismo faz-se, basicamente, através da ingestão de alimentos. Porém, existem situações em que os requisitos vitamínicos não são supridos e, logo, justificam a sua utilização terapêutica.
A avitaminose é um processo que se desenvolve progressivamente, até ao esgotamento das reservas vitamínicas, acompanhado por alterações bioquímicas, funcionais e, por último, lesões anatómicas. As vitaminas podem ser indicadas para prevenir, curar e como terapêutica farmacológica. Não obstante, é essencial realizar uma história clínica exaustiva, exame físico, estudo da dieta alimentar, etc., para justificar ou provar a existência de uma deficiência vitamínica e, por conseguinte, assegurar a obtenção do efeito terapêutico esperado em cada situação clínica.
Porém, a existência de uma avitaminose não é absolutamente necessária para comprovar a utilidade das vitaminas em doses elevadas. Com efeito, encontra-se bem documentado o benefício da administração de doses terapêuticas de vitaminas no tratamento de: inflamações e dor, determinados tipos de anemia, algumas alopecias, hemorragias, consolidação de fracturas, algumas perturbações oculares e auditivas, ou como antioxidantes para a prevenção de perturbações crónicas degenerativas.
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« Responder #1 em: 21-02-2010 , 19:48 » |
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Principais fontes na natureza A vitamina A, uma vitamina lipossolúvel, ocorre sob duas formas principais na natureza – o retinol, o qual se encontra apenas em fontes animais e certos carotenóides (provitaminas), as quais se encontram apenas em fontes vegetais. Os carotenóides são os compostos que dão a vários frutos e vegetais a sua cor amarela ou laranja. O carotenóide mais abundante e mais conhecido é o beta-caroteno. O beta-caroteno é um precursor da vitamina A ou “provitamina A”, porque a sua actividade como vitamina A ocorre apenas após a sua conversão para retinol no interior do corpo. Uma molécula de beta-caroteno pode ser clivada por uma enzima intestinal específica em duas moléculas de vitamina A.
Os alimentos ricos em beta-caroteno incluem as cenouras, os vegetais de folhas verde escuro e amarelas (p.e. espinafres e bróculos), abóboras, alperces e melões. A vitamina A pré-formada ou retinol, pode ser encontrada no fígado, gema de
Estabilidade
A vitamina A é sensível à oxidação pelo ar. A perda de actividade é acelerada pelo calor e pela exposição à luz. A oxidação das gorduras e dos óleos (p.ex. manteiga, margarina, óleos de cozinha) pode destruir as vitaminas lipossolúveis, incluindo a vitamina A. A presença de anti-oxidantes, tais como a vitamina E contribui para a protecção da vitamina A.
O beta-caroteno é uma das vitaminas mais estáveis em vegetais. Têm sido documentadas perdas pela cozedura de 25%, mas apenas após fervura por um período comparativamente longo.
Principais Interacções O estado da vitamina A pode ser influenciado por vários factores, incluindo os seguintes:
Doenças e infecções, especialmente o sarampo, comprometem o estado da vitamina A e, reciprocamente, um estado de pobreza em vitamina A diminui a resistência às doenças. A ingestão crónica e em excesso de álcool pode comprometer o armazenamento da vitamina A no fígado. Uma deficiência aguda de proteínas interfere com o metabolismo da vitamina A e, ao mesmo tempo, baixas quantidades de gordura na dieta interferem com a absorção tanto de vitamina A como de caratenóides. As alterações no metabolismo do ferro ocorrem associadas à deficiência em vitamina A, resultando, por vezes, em anemia. A vitamina E protege a vitamina A da oxidação; deste modo um estado adequado de vitamina E protege o estado da vitamina A. Funções A vitamina A é essencial para a visão, para um crescimento adequado e para a diferenciação dos tecidos.
Visão Os bastonetes, as células visuais receptoras de luz na retina do olho permitem-nos distinguir entre a luz e a escuridão. Estas células contém um pigmento sensível à luz chamado púrpura visual (rodopsina), o qual é um complexo da proteína opsina e da vitamina A. Quando um bastonete é exposto à luz, a púrpura visual desintegra-se, libertando cargas eléctricas para o cérebro. Estes estímulos são depois traduzidos numa imagem composta a qual nós “vemos”. Ao mesmo tempo, é formada nova rodopsina nas células visuais a partir da opsina e da vitamina A.
Crescimento A vitamina A tem um papel importante no crescimento normal e no desenvolvimento, bem distinto do seu papel na manutenção da visão. Um dos primeiros sinais de deficiência de vitamina A nos animais é a perda de apetite, acompanhado por um retardarmento do crescimento.
Dose Diária Recomendada (DDR) Os seres humanos baseiam-se na dieta alimentar para cobrir as suas necessidades de vitamina A. A Dose Diária Recomendada para os adultos nos EUA é 1000 RE (5000 IU) para os homens e 800 RE (4000 IU) para as mulheres. Durante a gravidez e a amamentação, são recomendadas 200 RE e 400 RE adicionais por dia, respectivamente. Os bebés e crianças, devido ao seu menor tamanho corporal, tem uma DDR inferior à dos adultos.
Deficiência Um dos sintomas iniciais de deficiência em vitamina A é a cegueira nocturna, ou uma capacidade diminuída para ver na penumbra. A deficiência grave produz cegueira parcial ou total, uma doença chamada xeroftalmia. O surgimento de lesões na pele (hiperqueratose folicular) tem também sido utilizado como um indicador inicial de um estado inadequado de vitamina A.
A deficiência em vitamina A é de longe a mais generalizada e a mais grave nas crianças, especialmente nos países pobres. É a principal causa de cegueira na infância e, combinada com outros factores, tais como uma malnutrição proteico-calórica e a crescente ocorrência de infecções, é associada a elevadas taxas de mortalidade infantil. Nas crianças com xeroftalmia são comuns os problemas associados, tais como crescimento sub-desenvolvido, doenças respiratórias, doenças parasitárias e infecciosas.
As doenças podem elas próprias induzir a deficiência de vitamina A, mais especificamente as doenças hepáticas e gastro-intestinais, as quais interferem com a absorção e utilização da vitamina A.
Acredita-se actualmente que um estado carênciado de vitamina A pode estar também associado ao desenvolvimento do cancro, embora não sejam ainda conhecidos os mecanismos exactos.
Utilização Terapêutica São distribuídas doses terapêuticas de vitamina A em zonas mundiais específicas, de modo a prevenir a xeroftalmia e tratar aqueles nos quais já tenham surgido os estagios iniciais de cegueira. Dado que a vitamina A pode ser armazenada no fígado, é possível construir uma reserva nas crianças através da administração de doses de elevada potência. A dose terapêutica standard utilizada actualmente para as crianças é de 200.000 IU administradas oralmente em líquido ou em cápsulas, duas a três vezes por ano. A cápsula contém também 40 IU de vitamina E, para facilitar a absorção de vitamina A.
A administração de 400.000 IU de vitamina A a crianças com complicações decorrentes do sarampo, mas sem sinais claros de deficiência em vitamina A, diminuiu a mortalidade em cerca de 50% e reduziu significativamente a morbilidade.
O intervalo de idades da população alvo para os programas de intervenção de vitamina A é normalmente entre o nascimento e os sete anos de idade. A xeroftalmia é habitualmente uma doença infantil de crianças entre os seis meses e os três anos.
Em programas de distribuição periódica regulares, é dada uma semi-dose (100.000 IU) a crianças entre os seis meses e um ano de idade. Descobriu-se que uma única dose de 200.000 IU dada às mães imediatamente após o parto aumenta o conteúdo de vitamina A no leite materno. Quando consideramos a terapia de vitamina A em mulheres a amamentar, é necessária precaução dado que pode ser colocada em risco uma gravidez co-existente. Durante a gravidez não deve ser excedida uma dose diária de 10.000 IU de vitamina A.
Segurança Dado que a vitamina A (enquanto retinol) é armazenada no fígado, quantidades elevada tomadas durante um longo período de tempo podem eventualmente exceder a capacidade de armazenamento do fígado, passar para o sangue e provocar efeitos adversos. Existe assim uma preocupação relativa à segurança de ingestão de elevadas doses de vitamina A pré-formada (retinol), especialmente em bebés, crianças e em mulheres em idade fértil.
A experiência de campo no que se refere aos programas de intervenção em nutrição em países onde a deficiência de vitamina A é prevalente, indica que doses únicas orais de 200.000 IU em crianças e 400.000 – 500.000 IU em adultos são seguras. No entanto, deve ser recordado que estas são doses profilácticas, dadas em níveis bastante elevados de modo a preencher reservas físicas diminuídas durante pelo menos seis meses.
Em pessoas bem nutridas, a toxicidade da vitamina A pode ocorrer de forma aguda no seguimento de doses muito elevadas (superiores a 500.000 IU) tomadas durante um período de alguns dias, ou como estado crónico no seguimento de doses elevadas (50.000 IU) tomadas durante um longo período de tempo. Geralmente tomas de até 10 vezes a DDR são consideradas seguras. Os níveis actuais de vitamina A em alimentos fortificados são baseados nos níveis da DDR, assegurando que não existe possibilidade razoável de sobredosagem de vitamina A na população. Na esmagadora maioria dos casos, os sinais e os sintomas de toxicidade são reversíveis após a cessação da ingestão de vitamina A.
O beta-caroteno é considerada uma forma segura de vitamina A, dado que é convertida pelo corpo apenas à medida que é necessária. O beta-caroteno apresenta um absorção pobre a partir do tracto gastro-intestinal e a sua conversão em retinol torna-se progressivamente menos eficiente à medida que o estado da vitamina A melhora. Ingestões elevadas (superiores a 30mg/dia) de beta-caroteno, podem no entanto resultar numa coloração amarelo-alaranjada da pele (hipercarotenemia), a qual é reversível após a cessação da ingestão do beta-caroteno.
Suplementos A vitamina A está disponível em cápsulas de gelatina mole, comprimidos mastigáveis ou efervescentes ou em ampolas. Está também incluída na maioria dos multivitamínicos.
História Embora se saiba, desde os tempos do antigo Egipto que certos alimentos curavam a cegueira nocturna, a vitamina A em si mesma só foi identificada em 1913. A sua estrutura química foi definida por Paul Karrer em 1931. O professor Karrer recebeu um Prémio Nobel pelo seu trabalho, dado que esta foi a primeira vez que era determinada a estrutura de uma vitamina.
1831 Wackenroder isola o corante amarelo-laranja das cenouras e dá-lhe o nome de “caroteno”. 1876 Snell consegue demonstrar que a cegueira nocturna e a xeroftalmia podem ser curadas dando ao paciente óleo de fígado de bacalhau. 1880 W. N. Lunin descobre que para além de necessitar de hidratos de carbono, gorduras e proteínas, os animais sob experiência apenas podem sobreviver se lhes forem dadas pequenas de quantidades de leite em pó. 1887 Arnaud descreve a presença generalizada de carotenos nas plantas. 1909 W. Stepp consegue extrair a substância lipossolúvel vital a partir do leite. 1915 McCollum diferencia entre “lipossolúvel A” e “hidrossolúvel B”. 1929 A actividade do beta-caroteno como vitamina A é demonstrada em experiências com animais. 1931 Paul Karrer isola retinol praticamente puro do óleo de fígado de uma espécie de sarda. Paul Karrer e R. Kuhn isolam carotenos activos. 1946 Isler inicia a primeira síntese industrial em larga escala da vitamina A. 1984 Alfred Sommer demonstra na Indonésia que a deficiência em vitamina A é a maior causa de mortalidade infantil.
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« Responder #2 em: 21-02-2010 , 19:52 » |
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Principais Fontes na NaturezaA tiamina ocorre de modo generalizado nos alimentos, mas na maioria dos casos em quantidades pequenas. A melhor fonte de tiamina é a levedura de cerveja seca. Outras boas fontes incluem a carne (porco, cordeiro, vaca), aves, cereais de grão inteiro, nozes, leguminosas, legumes secos e alimentos animais.
Nos grãos de cereais, o farelo rico em tiamina é removido durante a moagem do trigo para produzir a farinha branca e durante o polimento do arroz integral para produzir arroz branco.
Homem O homem e outros primatas dependem da sua ingestão de alimentos para cobrir as suas necessidades em vitamina B1.
Estabilidade A vitamina B1 é instável ao calor, meios alcalinos, oxigénio e radiação. A hidrossolubilidade é também um factor de perda de tiamina a partir dos alimentos. Cerca de 25% da tiamina nos alimentos é perdida durante o processo de cozedura normal. Podem ser perdidas quantidades consideráveis na água de descongelação dos alimentos congelados ou na água utilizada para cozinhar carnes e vegetais. Para preservar a tiamina, os alimentos devem ser cozinhados num recipiente coberto durante o mais curto de espaço de tempo possível e não devem ser mergulhados em água ou aquecidos durante muito tempo. Os sucos e a água utilizada para a cozedura devem ser reutilizados em guisados e molhos.
Prinicipais antagonistas Vários alimentos, tais como o café, o chá e o peixe cru, nozes de bétele e alguns cereais podem actuar como antagonistas.
Os medicamentos que causam náusea e perda de apetite, aumento da função intestinal ou da excreção urinária, diminuem a disponibilidade da tiamina.
O envenenamento por arsénico ou outros metais pesados produz os sintomas neurológicos da deficiência de tiamina. Estes metais agem bloqueando um passo metabólico crucial envolvendo a tiamina na sua forma de coenzima.
Principais sinergistas Vitamina B12, B1, B6, niacina, ácido pantoténico.
Funções A tiamina é essencial para o metabolismo dos hidratos de carbono através da suas funções coenzimáticas. As coenzimas são “moléculas auxiliares” que activam as enzimas, as proteínas que controlam os milhares de processos bioquímicos que ocorrem no corpo. A coenzima da tiamina – pirofosfato de tiamina PFT - é a chave para várias reacções na decomposição da glucose em energia. A PFT actua como coenzima na descarboxilação oxidativa e nas reacções de transcetolização. A tiamina também desempenha um papel na condução dos impulsos nervosos e no metabolismo aeróbico.
Deficiência marginal Vários inquéritos sobre nutrição mostraram que a tiamina é deficiente marginalmente num número relativamente grande de pessoas e deve, por isso, ser considerada uma vitamina problema. A deficiência marginal de tiamina pode manifestar-se em sintomas tão vagos como fadiga, irritabilidade e falta de concentração. Situações frequentemente acompanhadas por deficiência marginal de tiamina e que necessitam de suplementação são:
a gravidez e a amamentação grandes esforços físicos elevado consumo de álcool elevada ingestão de hidratos de carbono certas doenças (disenteria, diarreia, cancro, náuseas/vómitos, doenças hepáticas, infecções e hipertiroidismo). Deficiência franca As duas principais doenças relativas à deficiência em tiamina são o beribéri (prevalecente no Oriente) e o síndroma de Korsakoff. O beribéri, que traduzido significa “não posso, não posso”, mostra-se primariamente em desordens dos sistemas nervoso e cardiovascular. Existem três tipos de beribéri: o beribéri seco, uma polineuropatia com grave perda de massa muscular; o beribéri húmido com edema, anorexia, fraqueza muscular, confusão mental e finalmente falha cardíaca; e o beribéri infantil, no qual os sintomas de vómitos, convulsões, distensão abdominal e anorexia aparecem de repente e podem ser seguidos por morte por falha cardíaca.
O beribéri foi em tempos endémico em países onde o arroz polido constituía uma grande parte da dieta, especialmente no sudoeste asiático. Hoje em dia, muitos países fortificam o arroz e outros grãos de cereais de forma a substituir os nutrientes perdidos durante o processamento.
Actualmente é o síndroma de Korsakoff que se encontra com mais frequência. A deficiência é causada por uma combinação de factores, incluindo a ingestão inadequada (como na situações em que o álcool substitui os alimentos), absorção diminuída e aumento das necessidades. Embora esteja associado ao álcool, o síndroma encontra-se também ocasionalmente em pessoas que fazem jejum ou sofrem de vómitos crónicos. Os sintomas vão de confusão e depressão leves a psicose e coma. Se o tratamento for adiado, a memória pode ser permanentemente afectada.
Dose Diária Recomendada (DDR) As necessidades de tiamina estão ligadas à ingestão de energia por causa do seu papel no metabolismo dos hidratos de carbono. Para adultos, a Dose Diária Recomendada é de 0,5 mg por 1000 kcal, o que significa uma quantidade de 1,0-1,1 mg por dia para mulheres e 1,2-1,5 mg para homens, baseadas na ingestão calórica média. Podem ser recomendados 0,4 a 0,5 mg adicionais por dia durante a gravidez e amamentação. As necessidades das crianças são inferiores: 0,3-0,4 mg/dia (bebés) e 0,7-1,0 mg/dia (crianças), dependendo da idade e ingestão calórica da criança.
Suplementos A tiamina é frequentemente formulada em suplementos multivitamínicos em combinação com outras vitaminas do complexo B. Algumas pessoas tomam levedura de cerveja como uma forma de suplementação de tiamina.
Utilização terapêutica A tiamina é específica no tratamento do beribéri e em outras manifestações de deficiência de vitamina B1 (p.ex. síndroma de Korsakoff, nevrite periférica).O intervalo de dosagem vai de 100 mg/dia em estados de deficiência leves, a 200 mg-300 mg em casos graves.
A administração de tiamina é benéfica frequentemente na neurite acompanhada por consumo excessivo de álcool ou na gravidez. Com a polineuropatia alcoólica, a dose terapêutica está frequentemente no intervalo de 10-15 mg/dia. Quando o alcoolismo leva ao delirium tremens, são administradas por injecção lenta grandes doses de vitamina B1 em conjunto com outras vitaminas. Foram aconselhadas elevadas dose de tiamina (100-600 mg) no tratamento de situações tão diferentes como o lumbago, ciática, nevrite trigeminal, paralesia facial e nevrite óptica. A resposta a este tratamento tem sido, no entanto, variável.
Segurança A tiamina é bem tolerada em pessoas saudáveis, mesmo com doses orais muito elevadas. A única reacção encontrada nos seres humanos é do tipo hipersensitivo. Na grande maioria dos casos estas reacções de hipersensibilidade ocorreram após injecções com tiamina em pacientes com uma história de reacções alérgicas. Na administração por via parentérica a dose que produziu estas reacções variou de 5 a 100 mg, a maioria das quais ocorreram nas quantidades mais elevadas. Foram também relatados casos bastante raros de reacções de hipersensibilidade após doses orais extremamente elevadas (na casa dos 5-10 g). Todas estas reacções foram transitórias e assim a margem de segurança para a administração oral é bastante alargada.
História A história da tiamina é ao mesmo tempo fascinante e importante, dado que foi através da descoberta e denominação da tiamina que a palavra “vitamina” (do Latim vita=vida, amina=composto contendo nitrogénio) foi criada. Para além disso, a noção de que a ausência de uma substância nos alimentos podia causar uma doença era revolucionária no inicio de 1900s. A pesquisa inicial da tiamina estabeleceu, assim, as fundações para toda a pesquisa sobre nutrição que se seguiu.
Sec. VII. A primeira descrição clássica do beribéri no “Tratado Geral sobre a Etiologia e Sintomas de Doença” (autor: Ch’ao-Yuan-fang Wu Ching). 1882-86 K. Takaki, cirurgião geral, diminui dramaticamente a incidência do beribéri na marinha japonesa ao melhorar a dieta dos soldados. 1897 Os oficiais médicos holandeses Eijkman e Grijns mostram que os sintomas de beribéri podem ser produzidos em frangos alimentadas com arroz polido e que estes sintomas podem ser evitados ou curados com uma alimentação de farelo de arroz. 1912 Casimir Funk isola o factor anti-beribéri de extractos de farelo do arroz e chama-lhe vitamina – uma amina essencial à vida. O nome é facilmente aceite e ajuda a focar a atenção no novo conceito de doenças de deficiência. 1915 McCollum e Davis propõe a vitamina hidrossolúvel B1 como factor anti-beribéri. 1926 Jansen e Donath isolam o factor anti-beribéri do farelo do arroz. 1927 O Conselho de Investigação Médico Britânico propõe a vitamina B1 como factor anti-beribéri. 1936 Robert R. Williams, que começou inicialmente as suas investigações com a vitamina B1 e o beribéri em Manila por volta de 1910, identifica e publica a fórmula química e dá-lhe o nome de tiamina. 1937 É conseguida a primeira produção comercial de tiamina. 1943 Williams et al e Foltz et al conduzem estudos sobre dieta que mostram a deficiência generalizada de tiamina nos EUA. 1943 São criados pelo Comité de Nutrição e Alimentação dos EUA padrões de identidade para a farinha enriquecida, determinando que a tiamina, a niacina, a riboflavina e o ferro sejam adicionados à farinha branca.
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« Responder #3 em: 21-02-2010 , 19:56 » |
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O nome oficialmente reconhecido para a vitamina B2 é riboflavina. Os nomes anteriores eram vitamina G, lactoflavina, ovoflavina, hepatoflavina, verdoflavina e uroflavina. A maioria destes termos indica a fonte a partir do qual a vitamina foi inicialmente isolada, i.e. leite, ovos, fígado, plantas e urina.
Principais fontes na natureza Riboflavina é uma das vitaminas com mais ampla distribuição. Todas as células de plantas e animais contém-na, mas há muito poucas fontes ricas. A levedura e o fígado têm as concentrações mais elevadas, mas as fontes de dieta mais comuns são o leite e os seus derivados, a carne, os ovos e os vegetais de folhas verdes. Os grãos dos cereais, embora fontes pobres em riboflavina, são importantes para aqueles que dependem dos cereais como componente principal da dieta alimentar. Os cereais fortificados os produtos de panificação fornecem grandes quantidades. As fontes animais de riboflavina são melhor absorvidas que as fontes vegetais. No leite de vaca, ovelha e cabra, pelo menos 90% da riboflavina está na forma livre; na maiorira das outras fontes, surge ligado a proteínas.
Estabilidade A riboflavina é estável ao calor e por isso não é facilmente destruída no processo normal de cozedura, excepto se os alimentos estiverem expostos à luz, porque nesse caso podem ser perdidos até 50%. Podem também ocorrer perdas através da lixiviação na água de cozedura. Devido à sua sensibilidade à luz, a riboflavina desaparece rapidamente do leite guardado em garrafas de vidro expostas ao sol ou a luz natural directa (85% em duas horas). A esterilização de alimentos por irradiação ou o tratamento com óxido de etileno pode também causar a destruição da riboflavina.
Principais antagonistas Certos medicamentos, tais como a ouabaína (um medicamento utilizado no tratamento da falha cardíaca congestiva), a teofilina (um relaxante muscular suave, diurético e estimulante do sistema nervoso central), a penicilina e o ácido bórico, deslocam a riboflavina da sua ligação proteica e inibem assim o seu transporte ao sistema nervoso central. O probenecide (um medicamento anti-gota) inibe a absorção gastro-intestinal e a secreção tubular renal da riboflavina. A clorpromacina (um medicamento anti-psicótico) é estruturalmente análoga à riboflavina. Evita a incorporação da riboflavina no FAD. Outros medicamentos que foram relatadas como tendo uma influência relativa na absorção ou no metabolismo da riboflavina são as fenotiazinas (tranquilizantes), os barbitúricos, a estreptomicina (um antibiótico) e os contraceptivos orais. O antagonista galactoflavina é frequentemente utilizado experimentalmente para apressar o desenvolvimento da deficiência de riboflavina.
Principais sinergistas A tiroxina e a triodotiroxina estimulam a síntese da FMN e da FAD nos sistemas dos mamíferos. Os medicamentos anticolinérgicos aumentam a absorção da riboflavina ao permitirem-lhe manter-se nos locais de absorção durante mais tempo.
Funções A riboflavina actua como um intermediário na transferência de electrões em numerosas reacções essenciais de redução de oxidação. Participa assim em muitas reacções metabólicas dos hidratos de carbono, gorduras e proteínas e na produção de energia através da cadeia respiratória. Os coenzimas de riboflavina são essenciais para a conversão da piridoxina (vitamina B6) e do ácido fólico nas suas formas coenzimáticas e para a transformação do triptofano em niacina.
Deficiência marginal Os sintomas clínicos claros da deficiência em riboflavina são vistos raramente nos países desenvolvidos. No entanto, é comum o estagio sub-clínico de deficiência, caracterizado por uma mudança nos índices bioquímicos. Nas crianças isto pode levar num crescimento inferior ao normal. A deficiência de riboflavina raramente ocorre de forma isolada, e sim normalmente em combinação com deficiências nas outras vitaminas hidrossolúveis.
Deficiência Franca A deficiência experimental de riboflavina em voluntários humanos produz a glossite (lingua vermelha, lingua geográfica), estomatite angular (fissuras nos cantos da boca), prurido (comichão), escamação da pele e dermatite seborreica (inflamação da pele), especialmente no escroto. Pode acontecer a vascularização da córnea em pacientes com deficiência em riboflavina, estando então associada com fotofobia, visão diminuida, comichão e uma sensação de areia nos olhos. No entanto não foi estabelecida uma ligação directa entre estes sintomas e a deficiência.
Estudos utilizando o antagonista galactoflavina, revelaram alterações que não são vistas normalmente numa deficiência normal de dieta. Estas incluem a anemia normocítica e normocrómica e a neuropatia periférica das extremidades (latejar, sensação de frio e dor). A deficiência de riboflavina é também considerada como teratogénica, dado que ratos prenhes alimentados com quantidades sub-óptimas de riboflavina deram à luz ninhadas com anomalias múltiplas.
Grupos em risco de deficiência A deficiência de riboflavina pode ocorrer como resultado de um trauma, incluindo queimaduras e cirurgia e tem sido observada em pacientes com doenças crónicas debilitantes (p.ex. febre reumática, tuberculose, endocardite bacteriana subaguda), diabetes, hipertiroidismo e cirrose hepática. Outros grupos de risco são os idosos, as mulheres que tomam contraceptivos orais, as crianças e os adolescentes de meios sócio-económicos pobres, crianças com doenças cardíacas crónicas, pessoas que não consomem lacticínios e bebés em tratamento de fototerapia prolongada para a hiperbilirrubinemia.
A má absorção pode acontecer como resultado de doenças gastro-intestinais, tais como a sprue, a doença celíaca, obstrução intestinal, ressecção do intestino grosso, diarreia, enterite, atresia biliar e síndroma do colón irritável. As consequências de uma baixa ingestão de riboflavina pode ser agravada por alcoolismo crónico e stress crónico.
Dose Diária Recomendada (DDR) As recomendações dietárias para a riboflavina existem em 38 países, onde os valores médios para os adultos do sexo masculino variam entre 1,2 e 2,2 mg por dia. A recomendação do Comité de Nutrição e Alimentação do Conselho Nacional de Investigação dos EUA é baseada em estudos sobre alimentação conduzidos na década de 1940 os quais mostraram que uma ingestão de riboflavina de 0,55 mg ou inferior por dia resulta em sinais clínicos de deficiência após cerca de 90 dias. Estes dados levaram à assunção que uma ingestão de 0,6 mg por cada 1000 kcal deve suprir as necessidades para a generalidade das pessoas saudáveis. As recomendações actuais (1989) estão assim entre os 1,2-1,3 mg para as mulheres e 1,4-1,8 mg para os homens. É recomendada uma ingestão adicional de 0,3 mg para as mulheres durante a gravidez, de 0,5 mg durante os primeiros 6 meses de amamentação e 0,4 mg nos seguintes. Os níveis para bebés e crianças variam desde os 0,4 mg nos primeiros 6 meses de vida até 1,2 mg aos 10 anos.
Suplementos A riboflavina está disponível em preparados orais, isolada ou em combinações de multivinaminas ou multivitaminas com minerais e como uma solução injectável. A riboflavina cristalina é pouco solúvel em água, tendo sido por isso desenvolvida a forma de fosfato para utilização em formulações líquidas. A FMN disponível comercialmente é também muito hidrossolúvel.
Utilização terapêutica A maioria dos casos de deficiência em riboflavina responde a doses orais diárias de 5-10 mg. Os pacientes que sofrem de aclorídria, vómitos, diarreia, doenças hepáticas ou qualquer outra doença que evite a absorção ou utilização devem ser tratados por via parentérica. Os sintomas de deficiência começam a melhorar em 1-3 dias, mas a cura completa pode levar semanas. A riboflavina tem sido utilizada para tratar úlceras córneas, fotofobia e conjuntivite não infecciosa em pacientes sem sinais típicos de deficiência com resultados benéficos.
Segurança Não foram relatados quaisquer casos de toxicidade a partir da ingestão de riboflavina. A capacidade limitada do tracto gastro-intestinal para absorver esta vitamina torna qualquer risco significativo pouco provável.
História 1879 Blyth isola a lactocromo, um material hidrossolúvel, amarelo, fluorescente a partir do soro do leite. 1932 Warburg e Christian extraem uma enzima amarela da levedura de cerveja e sugerem que ela pode desempenhar um papel importante na respiração celular. 1933 Kuhn, György e Wagner-Jauregg obtêm um pigmento amarelo cristalino com propriedade promotoras do crescimento a partir da clara de ovo e do soro do leite, o qual identificam como vitamina B2. 1934 Kuhn e os seus associados em Heidelberga e Karrer e os seus associados em Zurique sintetizam a riboflavina pura. 1937 O Conselho para a Farmácia e Química da Associação Médica Americana dá à vitamina o nome de “riboflavina”. 1937 Theorell assegura a estrutura da riboflavina-mononucleótido (FMN). 1938 Warburg e Christian isolam e caracterizam o riboflavina-adenina dinucleótido adenino da flavina (FAD), e demonstram a sua participação como coenzima. 1941 Sebrell et al demonstram os sinais clínicos da deficiência de riboflavina em experiências de alimentação de seres humanos. 1968 Glatzle e os seus associados propõem a utilização do teste de glutationa reductase dos eritrócitos como uma medida do estado de riboflavina.
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« Responder #4 em: 21-02-2010 , 19:58 » |
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Ácido Pantoténico Sinónimos O ácido pantoténico pertence ao grupo das vitaminas do complexo B. O nome vem do grego e significa “de toda a parte”. Os nomes anteriores foram vitamina B5, vitamina antidermatose, factor de antidermatite dos frangos e factor antipelagra dos frangos. A forma que ocorre naturalmente é o ácido D-pantoténico.
Principais fontes na natureza O ácido pantoténico tem distribuição alargada nos alimentos, na maior parte incorporado no coenzima A (coenzima de acetilação). É particularmente abundante na levedura e nas carnes de orgãos (fígado, rins, coração e cérebro), mas os ovos, leite, vegetais, legumes e cereais de grão inteiro são provavelmente as fontes mais comuns. Os alimentos processados contêm pequenas quantidades, excepto quando aquelas perdidas durante o processamento são recolocadas depois. O ácido pantoténico é sintetizado pelos microrganismos intestinais, mas a quantidade produzida e o seu papel na nutrição humana são desconhecidas.
Estabilidade O ácido pantoténico é estável em condições neutrais, mas é facilmente destruído pelo calor em soluções alcalinas ou ácidas. Podem ser perdido até 50% durante a cozedura (devido a lixiviação) e até 80% como resultado do processamento e refinamento dos alimentos (enlatamento, congelação, moagem, etc.). A pasteurização do leite causa apenas pequenas perdas.
Principais antagonistas O etanol causa um decréscimo na quantidade de ácido pantoténico nos tecidos, o que resulta num aumento nos níveis séricos. Tem sido por isso sugerido que a utilização do ácido pantoténico é diminuída nos alcoólicos.
O antagonista mais comum do ácido pantoténico que é utilizado experimentalmente para acelerar o surgimento dos sintomas de deficiência é o ácido pantoténico omega-metilo. O ácido L-pantoténico tem também sido demonstrado como tendo um efeito antagonista nos estudos em animais.
O brometo de metilo, um fumigante utilizado para controlar os parasitas em locais onde os alimentos são armazenados, destrói o ácido pantoténico nos alimentos a ele expostos.
Principais sinergistas Vários estudos indicaram que a vitamina B12 pode ajudar na conversão do ácido pantoténico livre no coenzima A. Na ausência da B12, a produção do coenzima A é diminuída e o metabolismo das gorduras comprometido. Nas experiências animais, o ácido ascórbico (vitamina C) tem sido demonstrado como diminuindo a severidade dos sintomas da deficiência em ácido pantoténico; a vitamina A, a vitamina B6, o ácido fólico e a biotina também são necessários para a utilização correcta do ácido pantoténico.
Funções O ácido pantoténico, como um constituinte do coenzima A, tem um papel chave no metabolismo dos hidratos de carbono, proteínas e gorduras e é por isso importante na manutenção e reparação de todas as células e tecidos. Está envolvido nas reacções que fornecem energia, na síntese de compostos tão vitais como os esteróis (p.ex. colesterol), hormonas (p.ex. crescimento, stress e sexuais), neurotransmissores (p.ex. acetilcolina), fosfolípidos (componentes das membranas celulares), porfirina (componente da hemoglobina, o pigmento transportador de oxigénio dos glóbulos vermelhos) e anticorpos e no metabolismo dos medicamentos (p.ex. sulfonamidas). Outro papel essencial do ácido pantoténico é a sua participação na proteína transportadora de acil, uma enzima envolvida na síntese dos ácidos gordos.
Deficiência marginal Dado que o ácido pantoténico ocorre largamente em todos os alimentos, é geralmente assumido que a deficiência dietária desta vitamina é extremamente rara. No entanto, a deficiência de ácido pantoténico nos humanos não está bem documentada e provavelmente não ocorre isolada, mas em conjunto com deficiências de outras vitaminas do complexo B.
Deficiência franca As manifestações clínicas que podem ser claramente identificadas como deficiência dietária do ácido pantoténico não foram identificadas, embora tenha estado implicada no síndroma de “pés ardentes”, uma situação observada entre os prisioneiros de guerra mal-nutridos da década de 40. Os sintomas de deficiência têm sido produzidos experimentalmente pela administração do antagonista ácido pantoténico omega-metilo. Estes incluem fadiga, dores de cabeça, perturbações de sono, náusea, dores abdominais, vómitos e flatulência. Os pacientes queixam-se de sensações de latejar nos braços e pernas, cãimbras musculares e coordenação diminuída. Ocorreram também instabilidade cardiovascular e respostas dificultadas à insulina, histamina e ACTH (uma hormona de stress).
Quando homens jovens saudáveis foram alimentados com uma dieta virtualmente livre de ácido pantoténico durante 9 meses, os únicos sintomas observados foram apatia e fadiga.
A deficiência dietária de ácido pantoténico em animais resulta numa variedade alargada de anormalidades, tais como crescimento retardado, fertilidade diminuída, lesões gastro-intestinais, problemas neuromusculares, problemas dermatológicos, necrose da glândula supra-renal e morte súbita.
Grupos em risco de deficiência Dado que o álcool interfere com a utilização do ácido pantoténico, as pessoas que ingerem álcool em excesso tem necessidades aumentadas. Têm sido encontrados baixos níveis de ácido pantoténico no sangue de mulheres que tomam contraceptivos orais e cuja ingestão seria considerada adequada. A excreção urinária do ácido pantoténico é aumentada pela diabetes e a absorção pode ser dificultada em pessoas com problemas do tracto digestivo. Os estudos populacionais mostraram que os idosos tem normalmente baixa ingestão e níveis sanguíneos sub-óptimos. A partir das experiências animais pode-se considerar que as necessidades de ácido pantoténico sejam aumentadas durante o crescimento, gravidez e amamentação. Também foi sugerido que várias complicações pós-cirúrgicas possam ser devidas a deficiência em ácido pantoténico.
Dose Diária Recomendada (DDR) É geralmente acordado que existe informação disponível insuficiente na qual basear uma DDR para o ácido pantoténico. Assim, a maioria dos países que estabelece recomendações dá apenas uma estimativa dos níveis seguros e adequados para uma ingestão diária. Estes variam entre os 2 e os 14 mg para os adultos. As recomendações dietárias do Comité de Alimentação e Nutrição de 1989 do Conselho Nacional de Investigação americano sugerem uma ingestão dos 4 aos 7 mg diários, baseada na ingestão média estimada dos habitantes bem alimentados dos EUA e na correspondente excressão na urina. A dose temporária para as crianças é de 2-3 mg diários, aumentando gradualmente para os níveis dos adultos até aos 11 anos. Não é proposta qualquer dose adicional para as mulheres grávidas ou que amamentam.
Suplementos O ácido pantoténico puro é um óleo higroscópico viscoso que não é muito estável quimicamente. Os suplementos contêm assim normalmente sais de cálcio ou o álcool, pantenol. Ambos são bastante hidrossolúveis e convertem-se rapidamente em ácido livre no corpo. O pantotenato de cálcio é incluido frequentemente em preparações de multivitamínicos; o pantenol é a forma mais comum utilizada em monopreparações, as quais estão disponíveis numa varidade de formas farmacêuticas (p.ex. soluções para injecções e aplicação local, aerossóis, comprimidos, unguentos e cremes).
Utilização terapêutica
Embora sejam raramento observados estados de deficiência isolados, vários investigadores notaram variações nos níveis de ácido pantoténico em várias doenças e quantidades farmacológicas da vitamina são utilizadas no tratamento de numerosas doenças. No entanto em muitos casos as respostas terapêuticas publicitadas não foram confirmadas por estudos controlados em seres humanos.
Para o tratamento da deficiência devido à absorção diminuída, são recomendadas injecções intravenais ou intramusculares de 500 mg, várias vezes por semana. O íleo pós-operativo (paralisia do intestino), requer doses de até 1000 mg a cada seis horas. O pantenol é aplicado topicamente na pele e mucosas para acelerar o processo de cura de feridas, úlceras e inflamações, bem como em cortes e raspões, queimaduras, queimaduras solares, assadura das fraldas, escaras, laringite e bronquite.
O ácido pantoténico foi experimentado, com resultados variáveis, em várias doenças hepáticas e na artrite, para tratar constipações nos idosos, para prevenir a retenção urinária após cirurgia ou parto e (juntamente com a biotina) contra a calvície. Tem sido também relatado como tendo um efeito protector contra as náuseas devido a radiação.
Segurança O ácido pantoténico é geralmente considerado como sendo não-tóxico e nunca foram relatados quaisquer casos de hipervitaminose. Quantidades tão elevadas como 10 g em seres humanos apenas produziram pequenas perturbações gastro-intestinais.
Outras aplicações O pantenol é utilizado frequentemente em produtos cosméticos. Nos produtos para o cuidado da pele, ajuda a manter a pele hidratada e suave, estimula o crescimento das células e a reparação dos tecidos e inibe a inflamação e a vermelhidão. Como hidrantante e amaciador em produtos para o cabelo, protege contra e repara os danos devido a procedimentos químicos e mecânicos (secador, escovagem, champô, permanente, coloração, etc.) dando brilho.
História 1931 Williams e Truesdail separam uma fracção de ácido de “bios”, o factor de crescimento para a levedura descoberto em 1901 por Wildiers. 1933 Williams et al mostram que esta fracção é uma substância ácida única essencial ao crescimento da levedura. Dado que se encontra numa variedade alargada de materiais biológicos, sugerem chamar-lhe “ácido pantoténico”. 1938 Williams et al estabelecem a estrutura do ácido pantoténico. 1939 Jukes e Woolley et al mostram independentemente a semelhança entre o ácido pantoténico e o factor anti-dermatite dos frangos. 1940 A síntese total da vitamina é alcançada independentemente por Williams e Major, Stiller e associados, Reichstein e Grüssner, Kuhn e Wieland. 1947 Lipmann e os seus associados identificam o ácido pantoténico como um dos componentes do coenzima que descobriram no fígado dois anos antes. 1953 A estrutura completa do coenzima A é elucidada por Baddiley et al. Lipmann recebe o prémio Nobel juntamente com Krebs pelo seu trabalho com o coenzima A e o seu papel no metabolismo. 1954 Bean e Hodges relatam que o ácido pantoténico é essencial para a nutrição humana. Subsequentemente, eles e os seus colegas conduzem vários estudos de forma a produzir sintomas de deficiência em seres humanos saudáveis, utilizando o antagonista ácido pantoténico omega-metilo. 1965 Pugh e Wakil identificam a proteína transportadora de acil, como mais uma forma activa do ácido pantoténico. 1976 Fry e os seus associados medem a resposta metabólica dos humanos a uma deprivação do ácido pantoténico sem envolvimento de um antagonista.
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« Responder #5 em: 21-02-2010 , 20:10 » |
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O termo vitamina B6 ou piridoxina é utilizado para cobrir um grupo de compostos que são metabolicamente intermutáveis, nomeadamente o piridoxol (o álcool), o piridoxal (o aldeído) e a piridoxamina (a amina).
Principais fontes na naturezaA vitamina B6 liga-se principalmente às proteínas nos alimentos. O piridoxol encontra-se especialmente nas plantas, enquanto que o piridoxal e a piridoxamina são principalmente encontradas nos tecidos animais. As galinhas e o fígado de vaca, porco e vitela são excelentes fontes de piridoxina. As boas fontes incluem o presunto e o peixe (atum, truta, halibute, arenque e salmão), nozes (amendoins, avelãs), pão, milho e cereais de grão integral. Geralmente os vegetais e as frutas são fontes pobres de vitamina B6, embora existam produtos nestas classes alimentares que contêm quantidades consideráveis de piridoxina, tais como os feijões e a couve-flor, as bananas e as passas.
Homem E os outros primatas dependem de fontes externas para cobrir as suas necessidades de vitamina B6. Podem ser sintetizadas pelas bactérias intestinais quantidades negligenciáveis de vitamina.
Conservação A vitamina B6 é relativamente estável ao calor mas decompõe-se por oxidação e luz ultra-violeta e por ambientes alcalinos. A congelação de vegetais causa uma redução de até 25%, a moagem de cereais, gera um desperdício tão elevado como 90%. As perdas por cozedura de alimentos processados podem alcançar os 40%.
Principais antagonistas Existem mais de 40 medicamentos que interferem com a vitamina B6, os quais podem causar uma disponibilidade diminuída e mau estado da vitamina B6. Os principais antagonistas incluem:
Desoxipiridoxina, um anti-metabolito eficaz Isoniaside, uma droga tuberculostática Hidralazina, um anti-hipertensor Ciclosserina, um antibiótico e Penicilamina, utilizada no tratamento da doença de Wilson. A vitamina B6, por outro lado, pode actuar em si mesma como um antagonista nos pacientes com doença de Parkinson e que estejam sob tratamento com L-dopa. Em tais casos, pode contrariar o efeito da L-dopa.
Principais sinergistas Certas vitaminas do complexo B (niacina, riboflavina, biotina) podem actuar em sinergia com a piridoxina. A niacina e a riboflavina são necessárias para a interconversão das diferentes formas de vitamina B6.
Funções A principal função metabólica da vitamina B6 é como coenzima. Tem um papel importante no metabolismo das proteínas, hidratos de carbono e lípidos; as suas principais funções são: a produção de epinefrina, serotonina e outros neurotransmissores; a formação do ácido nicotínico da vitamina; a decomposição do glicogénio; o metabolismo dos aminoácidos.
Deficiência Marginal É raro o estado de deficiência dietária que mostre sintomas de deficiência clínica definidos, embora quase 50% das dietas avaliadas no Estudo de Consumo de Alimentos dos EUA de 1977-78, forneça menos de 70% da ingestão recomendada. De forma semelhante, um inquérito nutricional mostrou que três quartos de (...) produzem mais ácido xanturénico na urina. Se a administração de 100 mg de triptofano por quilo de peso, levar a uma excreção de ácido xanturénico em excesso de 30 mg em 24 horas, pode ser diagnosticada uma deficiência em piridoxina.
Grupos em risco de deficiência marginal Entre as pessoas em risco de uma ingestão/estado insuficiente de piridoxina estão:
As mulheres grávidas e a amamentar. Isto deve-se aos requisitos adicionais feitos pelo feto ou pelo bebé. As mulheres que tomam contraceptivos orais com elevado teor de estrogénio. Os alcoólicos crónicos. A bebida em excesso pode debilitar gravemente a capacidade do fígado para sintetizar PLP. Pessoas com uma elevada ingestão de proteínas, dado que o metabolismo da proteínas depende da presença da piridoxina. Deficiência Franca Uma dieta com baixo teor de piridoxina pode levar a uma anemia hipocrómica (descida anormal do conteúdo de hemoglobina dos eritrócitos) e perda de capacidade de converter o triptofano em ácido nicotinico. A deficiência induzida por antagonistas ou certos erros genéticos do metabolismo dos aminoácidos pode, se não for convenientemente tratada, resultar em:
Fraco crescimento Convulsões de origem cerebral, especialmente ataques convulsivos em bebés Formação de anticorpos diminuída Lesões na pele, p.ex. dermatite seborreica Problemas abdominais, vómito Pedras no rim Anormalidades electroencefalográficas Nevrite periférica, degeneração nervosa Estes problemas podem também indicar outros problemas de saúde que não a deficiência em piridoxina e por isso o tratamento devee sempre ter lugar sob supervisão médica.
Dose Diária Recomendada (DDR) A ingestão diária recomendada da vitamina B6 varia de acordo com a idade, sexo, grupos de risco (ver “Grupos de risco”) e com os critérios aplicados. Nos EUA, a DDR para os adultos do sexo masculino está actualmente fixada em 2,0 mg por dia e em 1,6 mg para as mulheres.
As necessidades de vitamina B6 aumentam quando são ingeridas dietas alimentares de elevado nível de proteínas, dado que o metabolismo das proteínas apenas pode funcionar convenientemente com a assistência de piridoxina. As mulheres grávidas e a amamentar precisam de uma dose adicional de 0,5 a 0,6 mg para compensar as necessidades aumentadas feitas pelo feto ou pelo bebé.
Suplementos A forma da vitamina B6 mais frequentemente disponível é o hidrocloreto de piridoxina, o qual é utilizado na fortificação dos alimentos, suplementos nutricionais e produtos terapêuticos tais como cápsulas, comprimidos e ampolas.
Utilização terapêutica Casos geneticamente condicionados de dependência de piridoxina incluem certos tipos de anemia e anormalidades no metabolismo dos aminoácidos. Em tais casos, são indicadas doses terapêuticas de aproximadamente 40-200 mg de vitamina B6 por dia.
A piridoxina é frequentemente administrada em doses de 40 mg/dia no tratamento de náuseas e vómitos (hiperemese da grávida) durante os meses iniciais da gravidez e durante o decurso da gravidez e da amamentação. É frequentemente utilizada para ajudar no alívio da depressão (nas mulheres que tomam contraceptivos orais) e no síndroma pré-menstrual. As pesquisas sugeriram ainda que:
Certos pacientes com diabetes mellitus ou diabetes de gravidez experimentam uma melhoria na tolerância à glucose quando recebem suplementos de vitamina B6. Os pacientes com asma podem sentir menos ataques e com menor gravidade de sibilo, tosse e dificuldades de respiração com a vitamina B6. Os pacientes com o síndroma de canal cárpico podem beneficiar de elevadas doses de vitamina B6. Uma dose de 25-200 mg de piridoxina pode ter efeitos benéficos no tratamento de doenças da radiação. Segurança A vitamina B6 em todas as suas formas é bem tolerada. Têm sido administradas sem efeitos adversos doses orais diárias de piridoxina de até 50 vezes a Dose Diária Recomendada (cerca de 100 mg) por períodos de até 3-4 anos.
Doses diárias de 500 mg ou mais podem causar neuropatia sensorial após vários anos de ingestão, enquanto que a ingestão de quantidades em excesso de 1g por dia podem levar a uma neuropatia sensorial em poucos meses. Felizmente estes efeitos colaterais são reversíveis em larga escala, assim que se cessa a ingestão da vitamina B6. Hoje em dia, a ingestão prolongada de doses que excedem os 500 mg diários é considerada com tendo o risco de causar efeitos adversos em certas pessoas enquanto que doses de 200 mg ou inferiores são consideradas como seguras.
História A vitamina B6 foi descoberta quase como um produto secundário dos estudos sobre a pelagra, uma doença de deficiência causada pela ausência no corpo da vitamina niacina. A vitamina B6 ganhou um significado imenso com a descoberta do seu papel importante na nutrição humana e animal na década de 40.
1926 Goldberger, Wheeler, Lillie e Rogers alimentam ratos com uma dieta deficiente no que é considerado como o factor de prevenção da pelagra; estes animais desenvolvem lesões de pele. 1934 György identifica pela primeira vez o factor como vitamina B6, ou adermina, uma substância capaz de curar uma doença de pele característica dos ratos (dermatite acrodinia). O factor é então chamado o factor anti-acrodinia dos ratos, a deficiência do qual causa a chamada “pelagra dos ratos”. 1935 Birch e György conseguem diferenciar a riboflavina e a vitamina B6 do factor específico de prevenção da pelagra (P-P) de Goldberger e dos seus associados. 1938 Lepkovsky é o primeiro a relatar o isolamento da vitamina B6 cristalina pura. Independentemente, mas ligeiramente mais tarde, vários outros grupos de pesquisadores relataram também a isolação da vitamina B6 cristalizada a partir de arroz polido (Keresztesy e Stevens; György, Kuhn e Wendt; Ichiba e Michi). 1939 Harris e Folkers determinam a estrutura da piridoxina e são capazes de sintetizar a vitamina. György propõe o nome piridoxina. 1945 Snell é capaz de mostrar que existem duas outras formas naturais da vitamina, nomeadamente, o piridoxal e a piridoxamina. 1957 Snyderman estabelece as necessidades de vitamina B6 nos seres humanos.
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« Responder #6 em: 21-02-2010 , 20:12 » |
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Ácido Fólico Sinónimos O ácido fólico (nome químico: ácido peteroilglutâmico), pertence ao grupo das vitaminas do complexo B. É também conhecida como folacina, vitamina BC, vitamina B9 e factor do Lactobacillus casei, embora estes nomes sejam actualmente considerados obsoletos.
O termo “folatos” é utilizado para designar todos os membros da mesma familia de compostos nos quais o ácido pteróico se liga a uma ou mais moedas de L-glutamato.
Principais fontes na natureza Os folatos são encontrados numa grande varidade de alimentos. As fontes mais ricas são o fígado, os vegetais de folha verde escura, os feijões, o germén de trigo e a levedura. Outras fontes são a gema de ovo, o linho, o sumo de laranja e o pão de trigo integral.
A maioria dos folatos da dieta existe na forma de poliglutamato, o qual é convertido na parede do intestino grosso para a forma de monoglutamato antes de ser absorvido na corrente sanguínea. Apenas cerca de metade do folato ingerido na dieta é de facto absorvido. Em circunstâncias normais, os folatos sintetizados pelas bactérias do intestino não contribuem significativamente para a nutrição de folatos nos seres humanos, dado que a síntese do folato bacteriano é normalmente restringida pelo intestino delgado (cólon) enquanto a absorção ocorre principalmente na parte superior do intestino grosso (jejuno).
Estabilidade A maioria das formas de folatos nos alimentos são instáveis. Os vegetais frescos de bastantes folhas, armazenados à temperatura ambiente podem perder até 70% da sua actividade de folato em três dias. Perdas consideráveis ocorrem também por extracção para a água de cozedura (até 95%) e pelo aquecimento.
Principais antagonistas Vários agentes quimicoterapêuticos (p.ex. metotrexato, trimetoprime, pirimetamina), inibem a reductase da enzima di-hidrofolato, a qual é necessária para o metabolismo dos folatos.
Muitas drogas podem interferir com a absorção, utilização e armazenagem dos folatos. Estas incluem os contraceptivos orais, o álcool, a colestiramina (um medicamento utilizado para baixar o colesterol no sangue) e os agentes epilépticos, tais como os barbitúricos e a di-fenil-idantoína, bem como a sulfasalazina, a qual é uma sulfonamida utilizada no tratamento da colite úlcerosa. Os medicamentos que reduzem a acidez no intestino, tais como os antiácidos e as modernas drogas anti-úlceras, também têm sido relatadas como interferindo com a absorção do ácido fólico.
Principais sinergistas A utilização apropriada dos folatos depende de um fornecimento adequado de outras vitaminas do grupo B e da vitamina C, as quais estão envolvidas nas reacções químicas necessárias para o metabolismo dos folatos na dieta. A vitamina C pode também fornecer as conduções de redução necessárias para preservar os folatos na dieta e uma dieta deficiente em folatos é também provavelmente deficiente em vitamina C.
Funções O ácido tetrahidrofólico, o qual é a forma activa dos folatos no organismo, actua como um coenzima em numerosas reacções metabólicas essenciais. Tem um papel importante no metabolismo dos amino-ácidos, os constituintes das proteínas. Está também envolvido na síntese dos ácidos nucleicos, as moléculas que transportam a informação genética nas células, bem como na formação da células sanguíneas e de alguns dos constituintes do tecido nervoso. O ácido fólico é assim essencial para o crescimento correcto e para o funcionamento óptimo do sistema nervoso e da medula óssea.
Deficiência marginal A deficiência de folatos é uma das deficiências vitamínicas mais comuns. Pode ser o resultado de uma ingestão inadequada, absorção deficiente, metabolismo anormal ou necessidades acrescidas. O diagnóstico de uma deficiência subclínica depende da demonstração de níveis reduzidos de tecido ou de outras provas bioquímicas, dado que as manifestações hematológicas são normalmente ausentes e os níveis de plasma não são um indicador fiável. Um estado de deficiência de folatos pode surgir em 1 a 4 semanas, dependendo dos hábitos de dieta e das reservas de vitamina no organismo.
Os sintomas iniciais da deficiência de folatos não são específicos e podem incluir cansaço, irritabilidade e perda de apetite.
Deficiência franca A deficiência grave de folatos leva quase sempre, num curto espaço de tempo, a uma anemia megaloblástica, uma doença na qual a medula óssea produz glóbulos vermelhos gigantes e imaturos. Os sintomas clínicos variam e estão relacionados com a gravidade da anemia e com a agudicidade da sua manifestação. Se deixada sem tratamento, a anemia megaloblástica pode ser fatal.
Na deficiência aguda (p.ex. após a administração dos antagonistas dos folatos), pode haver perda de apetite, dores abdominais, enjoos e diarreia. Podem também desenvolver-se úlceras dolorosas na boca e na faringe; podem ocorrer alterações de pele e perda de cabelo.
Os sintomas comuns de uma deficiência crónica de folato são o cansaço e a perda de energia e de vontade. Pode ocorrer uma sensação de boca e lingua doridas. A deficiência durante a gravidez pode resultar em parto prematuro e/ou malformação do feto. Nas crianças, o crescimento pode ser retardado e a puberdade atrasada. A deficiência de folatos tem também sido associada com problemas neurológicos, tais como demência e depressão.
Grupos em risco de deficiência A deficiência de folatos é muito comum e muitos locais do mundo e faz parte do problema geral de subnutrição. Nos países desenvolvidos, a deficiência nutricional de folatos pode ser encontrada acima de tudo em grupos economicamente despriveligiados (p.ex. os idosos). A ingestão reduzida de folatos é também vista frequentemente em pessoas que fazem dietas específicas (p.ex. para perder peso).
Problemas de estômago (p.ex. gastrite atrófica) e do intestino grosso (p. ex. doença celíaca, sprue, a doença de Crohn) podem levar a uma deficiência de folatos como resultado da má absorção. Em doenças com uma elevada taxa de renovação celular (p.ex. cancro, certas anemias, problemas de pele), as necessidades de folatos são maiores. Isto acontece também durante a gravidez e a amamentação, devido ao rápido crecimento dos tecidos durante a gravidez e às perdas através do leite durante a amamentação.
As pessoas em tratamento médico, p.ex. para a epilepsia, cancro ou infecções, têm maiores riscos de sofrerem de deficiências de folatos, bem como as mulheres que tomam contraceptivos orais e os pacientes com falha renal que necessitam de hemodiálise periódica. As deficiências agudas de folatos têm sido relatadas como ocorrendo num curto espaço de tempo em pacientes em cuidados intensivos, especialmente aqueles com nutrição por via parentérica total.
Dose Diária Recomendada (DDR) Recomendações para uma ingestão diária de folatos têm sido formulada em 27 países, sendo que muitos deles seguem as recomendações do Comité de Alimentação e Nutrição do Conselho de Investigação Nacional americano. No seu último guia (1989), esta organização recomenda uma ingestão diária de 20-35 mg de folatos na dieta alimentar para bebés, 50-150 mg para as crianças, 180 mg para as mulheres e 200 mg para os homens. Para cobrir as necessidades acrescidas durante a gravidez e a amamentação, são recomendadas, respectivamente, 400 mg e 260-280 mg por dia. Alguns especialistas, incluindo um grupo sob os auspícios da Organização Mundial de Saúde, recomendou uma ingestão de 600 mg diários durante a amamentação.
Suplementação O ácido fólico está disponível em preparações orais, isolado ou em combinação com outras vitaminas e minerais (p.ex. ferro), e como solução aquosa para injecções. Como o ácido é apenas fracamente hidrossolúvel, são utilizados os sais de folato para preparar fórmulas de dose líquida. O ácido folínico (também conhecido como leucovorina ou factor citrovorum) é um derivado do ácido fólico administrado por injecção intramuscular para contrariar a acção dos inibidores da reductase de di-hidrofolato, tais como o metotrexato. Para além disso, não é indicado para a prevenção e tratamento da deficiência de ácido fólico.
Utilização terapêutica Em situações onde existe um elevado risco de deficiência de folatos, são recomendados suplementos orais de ácido fólico, normalmente num preparado multivitamínico contendo 400 a 500 mg de ácido fólico. A suplementação multivitaminica durante a gravidez com doses de até 5 mg de ácido fólico tem sido demonstrado como reduzindo a incidência de malformações do feto, especialmente as deficiências do canal neural (malformações do cérebro e da medula espinal). Tal suplementação é também eficaz em mulheres grávidas que tomam medicamentos anticonvulsionantes para a epilepsia.
O desenvolvimento anormal de tecidos (displasia), característica de algumas situações pré-cancerosas, pode ser também favoravelmente afectada pela suplementação de folatos. Em vários estudos, envolvendo utilizadores de contraceptivos orais com displasia do cérvix uterino ou fumadores com displasia dos brônquios, três a quatro meses de tratamento com 10mg de ácido fólico diariamente reduz significativamente o número de células anormais.
Em casos agudos de anemia megaloblástica, o tratamento tem frequentemente de ser iniciado antes de ser feito um diagnóstico da causa. Para evitar complicações que possam surgir do tratamento de uma deficiência de vitamina B12 com ácido fólico em tais circunstâncias (ver abaixo), é preciso administrar ambas as vitaminas até estar disponível um diagnóstico específico.
Segurança O ácido fólico oral não é tóxico para o homem. Mesmo com doses diárias tão elevadas como 15mg (cerca de 40 vezes a DDR), não têm existido relatos substanciados de toxicidade e um suplemento diário de 10 mg foi tomado durante cinco anos sem efeitos adversos. Tem sido dito que elevadas doses de ácido fólico podem contrariar os efeitos da medicação anti-epiléptica e assim aumentar a frequência dos ataques em pacientes susceptíveis. Tem também sido relatado que uma ingestão elevada de ácido fólico pode interferir com a absorção do zinco.
Uma dose elevada de ácido fólico pode mascarar uma deficiência em vitamina B12. Não deve por isso ser utilizada indiscriminadamente em pacientes com anemia, dado o risco de danos no sistema nervoso devidos a deficiência em vitamina B12.
História 1931 Lucy Wills observa na Índia os efeitos de extractos de fígado e levedura na anemia macrocítica tropical e conclui que esta doença deve ser devida a uma deficiência na dieta alimentar. Ela reconhece que a levedura contém um agente curativo igual em potência àquele do fígado. 1938 Day e os seus colaboradores encontram um factor de anti-anemia para os macacos na levadura e designaram-no “vitamina M”. Na mesma altura Stokstad e Manning descobrem um factor de crescimento para os frangos, ao qual chamam “Factor U”. 1939 Hogan e Parrott identificam um factor anti-anemia para os frangos em extractos de fígado, ao qual chamam “Vitamina BC”. 1940 São descobertos factores de crescimento para o Lactobacillus casei e Streptococcus lactis. Snell e Peterson dão-lhe o nome de “factor norite-eluído”. 1941 Mitchell, Snell e Williams (EUA) sugerem o nome ácido fólico ( = folium, do latim para folha) para o factor responsável pela estimulação de crescimento do Streptococcus lactis que eles isolaram do espinafre e ao qual eles suspeitam conter propriedades semelhantes às de uma vitamina para os animais. 1945 Angier e os seus colaboradores (EUA) relatam a síntese de um composto idêntico ao factor L. Casei isolado do fígado. Descrevem posteriormente as estruturas químicas dos compostos básico e relacionados. 1945 Spies demonstra que o ácido fólico cura a anemia megaloblástica da gravidez. 1962 Herbert (EUA) consome uma dieta deficiente em folatos durante vários meses e relata o desenvolvimento de sintomas de deficiência. As suas descobertas estabelecem o critério para o diagnóstico de uma deficiência de folatos. No mesmo ano, Herbert estima as necessidades de ácido fólico para os adultos, as quais ainda servem como uma base para muitas DDRs. 1991 Wald (RU) estabelece que a suplementação de ácido fólico reduz o risco de deficiência do canal neural em 70% entre as mulheres que já deram à luz uma criança com esta deficiência. 1992 Butterworth (EUA) descobre que níveis séricos de ácido fólico mais elevados do que o normal estão associados com uma diminuição do risco de cancro cervical em mulheres infectadas com o vírus do papiloma humano. Para alem disso Czeizel (Hungria) demonstra que a primeira ocorrência de deficiência do canal neural pode ser largamente eliminada com um multivitamínico que contenha ácido fólico tomado no período pós-concepcional. 1993 O Serviço de Saúde Pública americano recomenda que todas as mulheres em idade fértil consumam 0,4 mg (400 mg) de folatos diariamente de modo a reduzir o risco de malformações do feto, tais como a espinha bífida e outros defeitos do canal neural.
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« Responder #7 em: 21-02-2010 , 20:22 » |
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A vitamina B12 refere-se a um grupo de corrinóides que contêm cobalto, conhecidos como cobalamina. É também chamada factor anti anemia perniciosa, factor extrínseco de Castle e factor de proteína animal. As cobalaminas principais nos seres humanos e animais são as hidroxocobalaminas, adenosilcobalaminas e metilcobalaminas, sendo as duas últimas as formas coenzimáticas activas. A cianocobalamina, uma forma sintética de vitamina B12 e que é largamente usada clinicamente devido à sua disponibilidade e estabilidade, é transformada nos factores activos no corpo.
Fontes principais na natureza Na dieta humana, a vitamina B12 é fornecida principalmente por produtos animais, em particular a carne de órgãos (fígado, rins, coração, cérebro). Outras boas fontes são o peixe, os ovos e os lacticínios.
Os alimentos de origem vegetal são essencialmente desprovidos de vitamina B12. As bactérias nos intestinos sintetizam a vitamina B12, mas em condições normais, não em zonas onde ocorre a absorção.
Estabilidade A vitamina B12 perde lentamente a sua actividade quando exposta à luz, oxigénio e ambientes ácidos ou alcalinos, mas é estável ao calor. A perda de actividade na cozedura (aproximadamente 70%) acontece com maior probabilidade a partir dos sucos da carne ou em lixiviação para a água, mais do que na destruição.
Principais antagonistas A absorção das cobalaminas é limitada pelo álcool, pela deficiência em vitamina B6 (piridoxina), pela colestiramina, pelo ácido para-aminosalicílico, pela colquicina, pela neomicina, pelas biguanidinas orais, metformina e fenformina e possivelmente pelo cloreto de potássio. Vários anticonvusionantes – fenobarbitona, primidona, fenitoína e etilfenascemida podem alterar o metabolismo das cobalaminas no líquido cerebro-espinal e levar a perturbações neuropsíquicas. Vários amidos substitutos, a lactona e a lactana, análogas da cianocobalamina, competem com os locais de ligação no factor intrínseco e podem levar a uma depressão da absorção da vitamina. O óxido nítrico também interfere com o metabolismo da cobalamina.
Funções A vitamina B12 é necessária para a formação dos corpúsculos do sangue, do revestimento dos nervos e de várias proteínas. Também se involve no metabolismo dos hidratos de carbono e da gordura e é essencial para o crescimento. A adenosilcobalamina é o coenzima para a isomerização de 1-metil-malonil-CoA para succinil-CoA (uma reacção importante no metabolismo dos lípidos e dos hidratos de carbono) e na redução do ribonucleótido (o qual fornece os blocos de construção para a síntese de ADN). As reacções que envolvem a metilcobalamina incluem a biosíntese da metionina, metano e acetato. Existe evidência de que a vitamina B12 é necessária na síntese dos poliglutamatos dos folatos (coenzimas activas necessárias na formação do tecido nervoso) e na regeneração do ácido fólico durante a formação dos glóbulos vermelhos.
Deficiência A deficiência clínica de cobalamina devida a insuficiência na dieta é rara. A falta de vitamina B12 leva à anemia megaloblástica (caracterizada por glóbulos vermelhos grandes e imaturos) e a neuropatia nos seres humanos com um estabelecimento insidioso de sintomas. Estes incluem fraqueza, cansaço, falta de ar de esforço (dispneia), sensação de latejar e dormência (parestesia), língua dorida (glossite), perda de apetite e de peso, perda do paladar e do olfacto, impotência, perturbações psiquiátricas (tais como irritabilidade, perda de memória, depressão leve, alucinações) e anemia grave (a qual pode levar a sinais de disfunção cardíaca). A deficiência de vitamina B12 leva à síntese deficiente do ADN nas células; os tecidos mais afectados são aqueles com maior taxa de renovação de células, p.ex. o sistema hematopoiético. Podem ocorrer danos irreversíveis no sistema nervoso com desmielinização específica da medula espinal.
Os sintomas de deficiência em vitamina B12 são semelhantes aos da deficiência em ácido fólico, sendo a maior diferença o facto de apenas a deficiência em vitamina B12 estar relacionada com a degeneração da medula espinal. Se for utilizado ácido fólico para tratar a deficiência de vitamina B12, a anemia pode ser aliviada mas permanece o risco de danos no sistema nervoso. É por isso essencial diagnosticar a deficiência de forma precisa antes de se iniciar a terapia.
Grupos em risco de deficiência A causa principal da deficiência de cobalamina é a falta da secreção do factor intrínseco. Isto ocorre em pessoas com anemia perniciosa (uma doença hereditária que afecta principalmente pessoas idosas), após uma gastrectomia e após a ingestão de agentes corrosivos com destruição da mucosa gástrica. Em pacientes com lesões no intestino grosso (asa cegas, estenose, constrições, divertículos) o sobrecrescimento das bactérias pode levar à competição pela vitamina disponível. A absorção diminuída também ocorre em pacientes com pequenos defeitos no intestino (p.ex. sprue, doença celíaca, ileíte, resecção ileal) e naqueles com erros congénitos do metabolismo da cobalamina, a secreção do factor intrínseco biologicamente anormal, ou síndroma de Zollinger-Ellison). Tem sido relatada uma má absorção da cobalamina em pacientes com tratamentos longos com alguns medicamentos e em idosos com atrofia gástrica.
O risco de deficiência nutricional é aumentado em pessoas com uma dieta exclusivamente vegetariana; uma elevada ingestão de fibras tem sido mostrada como agravadora de um equilibrio precário da vitamina.
Têm também surgido relatos de deficiência de vitamina B12 em bebés amamentados por mães vegetarianas.
Dose Diária Recomendada (DDR) A ingestão dietária recomendada de vitamina B12 está entre 0,3-5,0 mg/dia em 25 países. Desde 1989 que o Comité de Alimentação e Nutrição da Academia Nacional das Ciências recomenda uma dose diária de 2,0 mg para adultos, 0,3 mg para os bebés até os seis meses e 0,5 mg/dia para aqueles entre os seis meses e um ano. É recomendado um aumento de 2,2 mg/dia durante a gravidez de 2,6 mg/dia para a amamentação de modo a cobrir as necessidades aumentadas do feto/bebé. O Comité para a Nutrição da Academia Americana de Pediatria recomenda uma ingestão diária de vitamina B12 de 0,15 mg/100 kcal de energia ingeridos para os bebés e crianças. Outras autoridades sugerem ingestões de 0,3-0,5 mg (0-1 anos de idade), 0,7-1,5 mg (1-10 anos) e 2 mg (> 10 anos). A dieta ocidental “média” fornece provavelmente 3-15 mg/dia, mas pode variar de 1-100 mg/dia.
Suplementos Está disponível um injecção de vitamina B12 em forma aquosa estável como cianocobalamina ou hidroxocobalamina. A cianocobalamina também está disponível como comprimido e em apresentações líquidas orais. A administração da vitamina B12 num complexo de ácido tânico de zinco permite uma difusão lenta a partir do local da injecção, dando origem a perdas relativamente pequenas na urina e elevados níveis de plasma durante um longo período de tempo. A suspensão deste complexo em óleo de sésamo/gel de monoestearato de alumínio oferece uma melhor retenção imediata no pós-injecção. A vitamina B12 está também incluida em várias preparações de multivitamínicos, comercializados como suplementos nutricionais para a anemia.
Utilização terapêutica Os pacientes com falta de secreção do factor intrínseco necessitam de uma terapia vitalícia de vitamina B12. Quando utilizada isoladamente, são necessárias doses orais de pelo menos 150 mg/dia, embora doses semanais únicas de 1000 mg tenham sido consideradas satisfactórias em alguns casos. Podem ser dadas combinações de vitamina B12 e de factor intrínseco, mas um número variável de pacientes tornam-se refractários ao factor intrínseco após tratamento prolongado, sendo preferível a terapia por via parentérica com cianocobalamina ou hidroxocobalamina. Nos estagios iniciais da terapia são dadas injecções de maiores doses para repôr as reservas do organismo (1000 mg de hidroxocobalamina duas vezes por semana durante 6 semanas) com a maioria dos pacientes mantidos a uma dose de 250 mg duas vezes por mês. A hidroxocobalamina tem uma retenção melhor do que a cianocobalamina e é por isso preferida para utilização terapêutica de rotina.
A vitamina B12 também demonstrou ser útil na ambliopia tabágica (visão reduzida devido aos efeitos tóxicos do tabaco). Na atrofia óptica hereditária de Leber, a melhoria da acuidade visual tem sido alcançada com doses semanais de 1000 mg de hidroxocobalamina. A neurite óptica resultante de doses elevadas de cloramfenicol reage às injecções de hidroxocobalamina e piridoxina em doses elevadas. A vitamina B12 tem também sido utilizada para prevenir a toxicidade de cianeto induzida por nitroprussiato, como terapia de manutenção em crianças com acidúria metilmalónica e como analgésico. Esta última indicação é normalmente combinada com as vitaminas B1 e B6.
Segurança A cianocobalamina não causou toxicidade nos animais em níveis vários milhares de vezes superiores às suas necessidades nutricionais. No homem não foram relatados efeitos adversos a partir de doses orais únicas tão elevadas como 100 mg nem da administração crónica de 1 mg (500 vezes a DDR) semanalmente durante 5 anos. Não têm existido relatos de propriedade carcinogénicas ou mutagénicas e os estudos até à data não relataram qualquer potencial teratogénico.
História 1824 São descritos por Combe os primeiros casos de anemia perniciosa e a relação possível com as doenças do sistema digestivo. 1855 Combe e Addison identificam os sintomas clínicos da anemia perniciosa. 1925 Whipple e Robscheit-Robbins descobrem os benefícios do fígado na regeneração do sangue em cães anémicos. 1926 Minot e Murphy relatam que uma dieta de elevadas quantidades de fígado cru dada a pacientes com anemia perniciosa restaura o nível normal dos glóbulos vermelhos. São desenvolvidos concentrados de fígado e são iniciados estudos sobre os presumível(eis) principio(s) activos (“factor anti anemia perniciosa”). 1929 Castle postula que estão envolvidos dois factores no controle da anemia perniciosa: um “factor extrínseco” nos alimentos e um “factor intrínseco” na secreção gástrica normal. A administração simultânea destes factores causa a formação de glóbulos vermelhos a qual alivia a anemia perniciosa. 1934 Whipple, Minot e Murphy são galardoados com o prémio Nobel de medicina pelo seu papel no tratamento da anemia perniciosa. 1948 Rickes, Folkers e os seus associados (EUA) e Smith e Parker (Inglaterra), trabalhando separadamente, isolam um pigmento vermelho cristalino ao qual dão o nome de vitamina B12. 1948 West demonstra que injecções de vitamina B12 beneficiam dramaticamente os pacientes com anemia perniciosa. 1949 Pierce e os seus colaboradores isolam duas formas cristalinas de vitamina B12, igualmente eficazes no combate da anemia perniciosa. Uma forma é descoberta como contendo cianeto (cianocobalamina) enquanto a outra não (hidroxocobalamina). 1955 Hodgkin e os seus colaboradores estabelecem a estrutura molecular da cianocobalamina e as suas formas coenzimáticas utilizando a cristalografia por raio-x. 1955 Eschenmoser e os seus colaboradores na Suíça e Woodward e os seus colaboradores nos EUA sintetizam a vitamina B12 a partir de culturas de certas bactérias/fungos. 1973 Síntese total da vitamina B12 por Woodward e os seus colaboradores.
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« Responder #8 em: 21-02-2010 , 20:26 » |
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Ácido ascórbico, vitamina anti-escorbútica.
Principais fontes na natureza Citrinos, groselhas pretas, pimentão doce, salsa, couve-flor, batatas, batatas doces, bróculos, couves de bruxelas, morangos, goiaba, manga. Dependendo da estação, um copo de tamanho médio de sumo de laranja fresco (i.e. 100g) rende cerca de 15 a 35 mg de vitamina C.
Homem Os outros primatas e o porco-da-india dependem de fontes externas para cobrir as suas necessidades de vitamina C. A maioria dos outros animais sintetiza o ácido ascórbico no interior do corpo.
Conservação A vitamina C é sensível ao calor, luz e oxigénio. Nos alimentos pode ser parcialmente ou completamente destruída por um armazenamento longo ou pela sobrecozedura. As batatas, por exemplo, quando armazenadas à temperatura ambiente perdem cerca de 15% do seu conteúdo em vitamina C todos os meses e a cozedura de batatas descascadas destrói outros 30-50% da sua vitamina C.
Principais antagonistas Várias substâncias químicas às quais o homem está exposto, tais como a poluição aérea, as toxinas industriais, os metais pesados e o fumo do tabaco, bem como vários componentes farmacológicos activos, entre os quais alguns anti-depressivos e diuréticos, podem levar a necessidades acrescidas de vitamina C. Isto é também verdade para certos hábitos como, por exemplo, o consumo de álcool.
Principais sinergistas A presença de outros anti-oxidantes, tais como a vitamina E e o b-caroteno, apoia a acção protectora anti-oxidante da vitamina C. Outras vitaminas, tais como as do complexo B (particularmente a B6, B12, ácido fólico e ácido pantoténico) e algumas substâncias farmacológicas activas, bem como os compostos que ocorrem na natureza, conhecidos como bioflavonóides, podem ter um efeito de poupança da vitamina C.
Funções A vitamina C é necessária para a produção de colagénio, a substância do tipo “cimento” intercelular que dá estrutura aos músculos, tecidos vasculares, ossos e cartilagens. A vitamina C também contribui para a saúde dos dentes e gengivas e auxilia na absorção do ferro a partir da dieta. É também necessária para a síntese dos ácidos biliares.
Para além disso, a investigação mostrou o papel da vitamina C em:
síntese de várias hormonas e neuro-transmissores importantes metabolismo do ácido fólico função imunitária função redox/anti-oxidante nas reacções metabólicas de certos amino-ácidos, em particular na prevenção da formação de nitrosaminas potencialmente carcinogénicas no estômago (devido ao consumo de alimentos contendo nitrite, tais como a carne fumada ou os pickles). Deficiência marginal Os primeiros sintomas da deficiência inicial de vitamina C são a fadiga, a lassidão, a perda de apetite, a sonolência e insónia, o sentimento de exaustão, irritabilidade, baixa resistência às infecções e petéquia (pequeno sangramento capilar). Estes sintomas podem, no entanto, indicar outras doenças.
Grupos em risco de deficiência marginal Entre os grupos de pessoas em risco de fornecer ao corpo quantidades insuficientes de vitamina C de forma a manter um nível óptimo no sangue estão os fumadores, os alcoólicos, os idosos em lares e os pacientes sujeitos a certos medicamentos. As necessidades de vitamina C para os fumadores nos EUA é superior em 40 mg às dos não fumadores.
Deficiência Franca A deprivação de vitamina C durante um período suficiente de tempo leva ao escorbuto, o qual se caracteriza pelo enfraquecimento das estruturas de colagénio (tecido de ligação das células), resultando no sangramento capilar alargado. O escorbuto infantil causa
malformações ósseas. O sangramento das gengivas e a queda dos dentes são normalmente os primeiros sinais da deficiência clínica. As hemorragias sob a pele causam sensibilidade extrema das extremidades e dores durante o movimento. Se deixada sem tratamento pode seguir-se a gangrena e a morte. Hoje em dia, o escorbuto ocorre com relativa raridade. Para evitar o escorbuto, é considerada suficiente a ingestão diária de 10-15 mg de vitamina C, mas para um funcionamento fisiológico óptimo são necessárias quantidades muito superiores.
Dose Diária Recomendada (DDR) A ingestão diária recomendada de vitamina C varia de acordo com a idade, sexo, grupo de risco (ver “Grupos de risco”) e com os critérios aplicados nos países individuais. Nos EUA, a DDR para os adultos é actualmente de 60 mg (Conselho Nacional de Investigação), mas esta recomendação varia desde 30 mg no Reino Unido a 100 mg na antiga União Soviética (200 mg para as grávidas). Provas recentes estabelecem a estimativa para as necessidades de manutenção de uma saúde óptima na região dos 100 mg diários.
Suplementos A vitamina C está disponível em comprimidos convencionais, efervescentes e mastigáveis, comprimidos de libertação temporizada, xaropes, pós, granulados, cápsulas, gotas e ampolas, tanto isoladamente como em preparações de polivitaminicos e minerais.
Utilização terapêutica Os médicos recomendam que as mulheres grávidas aumentem a sua ingestão de vitamina C em cerca de 30% e durante a lactação é aconselhado um aumento de até 60-70% de forma a garantir as necessidades da mãe, dado que um litro de leite materno contém cerca de 50 mg de vitamina C. Durante um período pós-operativo ou durante a cura de feridas superficiais, os suplementos de vitamina C contribuem para a prevenção de infecções e promove a reparação da pele.
Segurança Embora tenha sido ingeridas regularmente por várias pessoas quantidades tão altas quanto 6-10g de vitamina C por dia (mais de 100 vezes a DDR), não existem evidências de efeitos colaterais. A suplementação prolongada com doses elevadas pode ter um certo efeito laxativo.
Estudos com porcos-da-índia (uma das espécies de animais apropriadas) e com seres humanos não confirmaram os relatos anedóticos de retorno do escorbuto após a paragem súbita de suplementação prolongada com doses elevadas de vitamina C.
História O escorbuto é uma das mais antigas doenças conhecidas da humanidade. Existem evidências da sua existência no Antigo Testamento, nos papiros de Ebers e na escrita de Plínio. Durante a Idade Média, o escorbuto era endémico no norte da Europa e no final do sec. XVII tornou-se um problema grave entre os marinheiros nas longas viagens de exploração.
Cerca de 400 a.C. Hipócrates descreve os sintomas do escorbuto. 1747 O médico naval James Lind receita laranjas e limões como uma cura para o escorbuto. 1907 O escorbuto é produzido experimentalmente em porcos-da-india por Holst e Frohlich. 1917 Bioensaio desenvolvido por Chick e Hume para determinar as propriedades anti-escorbúticas dos alimentos. 1930 Dr. Albert Szent-Györgyi demonstra que o ácido hexurónico que ele isolou inicialmente das glândulas supra-renais dos porcos em 1928 é idêntico à vitamina C, a qual ele extrai em grandes quantidades de pimentões doces. 1932 Os esforços independentes de Sir Norman Haworth e do Dr. Glen King estabelecem a estrutura química da vitamina C. 1932 A relação entre a vitamina C e o factor anti-escorbútico é descoberta por Szent-Györgyi e ao mesmo tempo por King e Waugh. 1933 Em Basileia, o Dr.Tadeusz Reichstein sintetiza um ácido ascórbico idêntico à vitamina C natural. Este é o primeiro passo em direcção à produção industrial da vitamina em 1936. 1937 Haworth e Szent-Györgyi recebe o prémio Nobel para a sua investigação sobre a vitamina C. 1970 O Professor Linus Pauling chama a atenção mundial com o seu best-seller controverso “A vitamina C e a constipação”. 1975-79 Estudos experimentais in vitro ilustram as propriedades antioxidantes e de extinção do oxigénio singleto da vitamina C. 1979 Packer e os seus colaboradores observam a interacção de radicais livres da vitamina E e da vitamina C. 1982 Niki demonstra a regeneração da vitamina E pela vitamina C. 1985 As necessidades mundiais de vitamina C estão estimadas em 30.000- 35.000 toneladas por ano. 1988 O Instituto Nacional do Cancro (EUA) reconhece a relação inversa entre a ingestão da vitamina C e as várias formas de cancro e emite indicações para o aumento da vitamina C na dieta.
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« Responder #9 em: 21-02-2010 , 20:29 » |
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Vitamina D é o nome geral dado a um grupo de compostos lipossolúveis que são essenciais para manter o equilíbrio mineral no corpo. É também conhecida como calciferol e vitamina antiraquítica. As formas principais são conhecidas como vitamina D2 (ergocalciferol: de origem vegetal) e vitamina D3 (colecalciferol: de origem animal). Dado que o colecalciferol é sintetizado na pele através da acção da luz ultra-violeta no 7-dehidrocolesterol, um derivado do colesterol que está distribuído de forma generalizada na gordura animal, a vitamina D não está de acordo com a definição clássica de vitamina.
De qualquer modo, dado o número de factores que influenciam a síntese, tais como a latitude, a estação, a poluição aérea, a área de pele exposta, a pigmentação, a idade, etc., a vitamina D é reconhecida como um nutriente essencial da dieta.
Principais fontes na natureza As fontes naturais mais ricas em vitamina D são os óleos de fígado de peixe e os peixes de água salgada, tais como as sardinhas, o arenque, o salmão e a sarda. Os ovos, a carne, o leite e a manteiga também contêm pequenas quantidades. As plantas são fontes fracas e a fruta e os frutos secos não têm qualquer vitamina D. A quantidade de vitamina D no leite humano é insuficiente para cobrir as necessidades infantis.
Estabilidade A vitamina D é relativamente estável nos alimentos; a armazenagem, o processamento e a cozedura têm pouco efeito na sua actividade, embora no leite fortificado, possa ser perdida até cerca de 40% da vitamina D adicionada, como resultado da exposição à luz.
Principais antagonistas A colestiramina (uma resina utilizada para parar a reabsorção dos sais biliares) e os laxativos baseados em óleos minerais inibem a absorção da vitamina D a partir do intestino. As hormonas corticosteróides, os medicamentos anticonvulsivos e o álcool podem afectar a absorção do cálcio, reduzindo a resposta à vitamina D. Os estudos em animais também sugerem que os medicamentos anticonvulsivos estimulam as enzimas do fígado, resultando num aumento da decomposição e excreção da vitamina.
Principais sinergistas
Os pacientes em tratamento com diuréticos à base de thiazide ou antiácidos contendo magnésio devem evitar tomar doses elevadas de vitamina D, devido ao risco aumentado de hipercalcemia ou hipermagnesemia, respectivamente. Também se descobriu que as mulheres que tomam contraceptivos orais têm níveis de calcitriol no sangue ligeiramente elevados.
Funções A vitamina D é essencial para a homeostase. Classicamente, sabe-se que ela é necessária para a absorção do cálcio e do fósforo no intestino grosso, para a sua mobilização a partir dos ossos e a para a sua reabsorção nos rins. Através destas três funções, a vitamina D tem um papel importante em assegurar o funcionamento correcto dos músculos, nervos, coagulação do sangue, crescimento celular e utilização de energia. Pensa-se que o depósito de minerais no esqueleto é o resultado de elevadas concentrações de cálcio e fósforo no sangue, sendo assim apenas indirectamente devido apenas à acção da vitamina D.
Para executar as suas funções biológicas, o calcitriol, tal como outras hormonas, liga-se a receptores específicos nas células alvo. Tais receptores têm sido encontrados numa larga variedade de tecidos. Tem sido proposto que a vitamina D é também importante para a secreção de insulina e prolactina, resposta imunitária e ao stress, síntese da melanina e para a diferenciação das células da pele e do sangue.
Deficiência marginal Entre os primeiros sintomas de deficiência de vitamina D estão os níveis séricos reduzidos de cálcio e fósforo e um aumento da actividade da fosfatase alcalina. Isto pode ser acompanhada por fraqueza muscular e tetania, bem como por riscos acrescidos de infecção. As crianças podem mostrar sintomas não específicos, tais como inquietação, irritabilidade, sudação excessiva e diminuição do apetite. A hipovitaminose D marginal pode contribuir para os ossos quebradiços nos idosos.
Deficiência franca As manifestações mais amplamente reconhecidas de deficiência de vitamina D são o raquitismo (nas crianças) e a osteomalácia (nos adultos). Ambas são caracterizadas pela perda de mineral a partir dos ossos, resultando em deformidades do esqueleto, tais como pernas arqueadas nas crianças. As extremidades dos ossos longos tanto nos braços como nas pernas estão envolvidas e o crescimento pode ser retardado. O raquitismo também resulta na mineralização inadequada do esmalte dentário e da dentina.
Têm sido identificadas algumas formas raras de raquitismo como ocorrendo apesar de uma ingestão adequada de vitamina D. Estas são formas herdadas nas quais a formação ou utilização do calcitriol está comprometida. A osteoporose, uma doença da velhice na qual ocorre uma perda de osso e não apenas desmineralização, tem sido também associada com uma perturbação do metabolismo da vitamina D, mas os resultados são controversos.
Grupos em risco de deficiência O risco de deficiência de vitamina D é mais elevado entre as crianças e os idosos, especialmente aqueles com baixa exposição à luz solar. Em prematuros e bebés com baixo peso, as funções hepáticas e renais podem ser inadequadas para um metabolismo óptimo da vitamina D e o leite humano é uma má fonte de vitamina D. Nos idosos as restrições alimentares são um factor de risco adicional.
Pessoas com doenças que afectam o fígado, os rins e a glândula tiróide ou a absorção de gorduras, os vegetarianos, os alcoólicos e os epilépticos em terapia de longa duração de anticonvulsionantes, bem como as pessoas que estão retidas em casa, têm um maior risco de deficiência.
Um grupo de risco específico, que atraiu as atenções nos últimos anos, é a população das Indias Ocidentais no Reino Unido.
Dose Diária Recomendada (DDR) É difícil estabelecer uma DDR para a vitamina D, dada influência da exposição ao sol. Pessoas saudáveis, com exposição regular ao sol e sob condições apropriadas não têm necessidades de vitamina D na dieta. Dado que isto é raramente o caso nas zonas temperadas, é necessário um suplemento alimentar.
O Comité de Alimentação e Nutrição do Conselho Nacional de Investigação Americano, recomendam uma ingestão diária de 5 mg (200 IU) para adultos, 7,5 mg (300 IU) para bebés com menos de 6 meses e 10 mg (400 IU) para crianças com mais de 6 meses, grávidas e mães a amamentar. Um suplemento diário de 5 – 7,5 mg (200 – 300 IU) é recomendado para bebés alimentados com leite materno que não tenham exposição ao sol.
Noutros países, a recomendação para os adultos varia de 2,5 mg (100 IU) a 11,5 mg (450 IU). A recomendação mais elevada existe em França (20 – 30 mg por dia para crianças de raça negra).
Suplementos Monopreparações de vitamina D e compostos relacionados estão diponíveis em comprimidos, cápsulas, soluções oleosas e injecções. A vitamina D incorpora-se também em combinações com vitamina A, cálcio e em multivitamínicos.
Utilização terapêutica No tratamento do raquitismo, uma dose diária de 25 mg (1.000 IU) de colecalciferol ou ergocalciferol tem com resultado concentrações de plasma normais de cálcio e fósforo num espaço de 10 dias. Em alternativa, doses de 75 – 100 mg (3.000 – 4.000 IU) pode produzir resultados mais rápidos. No entanto, a dosagem deve ser adaptada individualmente e os níveis de cálcio no plasma monitorizados regularmente.
Para o raquitismo dependente da vitamina D e para a hipocalcemia relacionada com hipoparatiroidismo, podem ser necessárias doses de 1,25 mg (50.000 IU) ou mais. Em pacientes com osteodistrofia renal, pode ser preferível usar o calcitriol ou o seu análago alfacalcidol. Com o calcitriol, a dosagem inicial é de 0,25 – 2,0 mg (10 – 80 IU) por dia.
Segurança A hipervitaminose D é um problema potencialmente sério dado que pode causar danos permanentes nos rins, retardação de crescimento, calcificação de tecidos moles e morte. Os sintomas leves de intoxicação são náuseas, fraqueza, prisão de ventre e irritabilidade. Em geral uma dose tóxica para um adulto é de cerca de 2,5 mg (100.000 IU) diariamente durante 1 – 2 meses; para as crianças a dose tóxica está entre 0,5 mg (20.000 IU) e 1,0 mg (40.000 IU). No entanto, certos indivíduos têm uma sensibilidade elevada à vitamina D e apresentam sintomas de toxicidade apenas após 50 mg (2.000 IU). A hipervitaminose não está associada a uma sobrexposição ao sol.
História 1645 Daniel Whistler escreve a primeira descrição científica do raquitismo. 1865 No seu livro sobre medicina clínica, A. Trousseau recomenda óleo de fígado de bacalhau como tratamento para o raquitismo. Reconhece também a importância da luz do sol e identifica a osteomalácia como a forma adulta de raquitismo. 1919 E. Mellanby sugere que o raquitismo é devido à ausência de um factor lipossolúvel da dieta alimentar. 1922 McCollum e os seus colaboradores estabelecem uma distinção entre a vitamina A e o factor anti-raquitismo. 1925 McCollum e os seus colaboradores dão ao factor anti-raquitismo o nome vitamina D. Hess e Weinstock mostram que se produz na pele por meio de radiação ultra-violeta um factor com actividade anti-raquítica. 1936 Windaus identifica a estrutura da vitamina D em óleo de figado de bacalhau. 1937 Schenck obtém vitamina D3 cristalizada através da activação do 7-dehidrocolesterol. 1968 Haussler, Myrtle e Norman relatam a existência de um metabolito activo de vitamina D na mucosa intestinal dos frangos. 1969 Haussler e Norman descobrem os receptores de calcitriol no intestino dos frangos. 1970 Fraser e Kodicek descobrem que o calcitriol é produzido nos rins. 1971 Norman, Lawson, Holick e os seus colaboradores identificam a estrutura do calcitriol. 1973 Fraser et al descobre a existência de um erro congénito do metabolismo da vitamina D que produz o raquitismo resistente à terapia com vitamina D. 1978 O grupo de De Luca descobre uma segunda forma de raquitismo resistente à vitamina D (Tipo II). 1981 Abe et al no Japão demonstra que o calcitriol está envolvido na diferenciação das células da medula óssea. 1983 Provvedini et al demonstra a existência dos receptores de calcitriol nos leucócitos humanos. 1984 O mesmo grupo apresenta a evidência de que o calcitriol tem um papel de regulação na função imunitária. 1986 Morimoto e associados sugerem que o calcitriol pode ser útil no tratamento da psoríase. 1989 Baker e associados mostram que o receptor de vitamina D pertence à familia de genes receptores de esteróides.
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« Responder #10 em: 21-02-2010 , 20:31 » |
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O termo vitamina E cobre oito compostos encontrados na natureza. Quatro deles são chamados tocoferóis e quatro são tocotrienóis, sendo identificados pelos prefixos a-, b-, g- e d. O alfa-tocoferol é o mais comum e o mais activo biologicamente destas formas de ocorrência natural de vitamina E.
O nome tocoferol deriva da palavra grega tocos, que significa nascimento, e pherein, que significa transportar. O nome foi dado para ressaltar o seu papel essencial na reprodução das várias espécies animais. O –ol final identifica a substância como sendo um álcool.
Principais fontes na natureza O óleos vegetais (amendoim, soja, palma, milho, cártamo, girassol, etc.) e o gérmen de trigo são as fontes mais importante de vitamina E. Fontes secundárias são as nozes, a sementes, grãos inteiros, e os vegetais de folhas verdes. Alguns alimentos básicos, como o leite e os ovos, contêm pequenas quantidades de a-tocoferol.
Para além disso, as margarinas e outros alimentos são fortificados com vitamina E.
Estabilidade A luz, o oxigénio e o calor, factores prejudiciais ocorrentes em longos períodos de armazenagem e processamento de alimentos, diminuem o conteúdo de vitamina E dos alimentos. Em alguns alimentos tal pode decrescer em até 50% apenas após 2 semanas de armazenamento à temperatura ambiente. A fritura destrói, em grande parte a vitamina E nos óleos de fritar.
Principais antagonistas Quando ingeridos ao mesmo tempo, o ferro reduz a disponibilidade de vitamina E no organismo, sendo isto especialmente crítico no caso de recém-nascidos anémicos.
As necessidades de vitamina E estão relacionadas com a quantidade de ácidos gordos polinsaturados consumidos na dieta. Quanto mais elevada a quantidade de ácidos gordos polinsaturados, maior a quantidade de vitamina E necessária.
Principais sinergistas A presença de outros anti-oxidantes, tais como a vitamina C e o beta-caroteno, apoiam a acção anti-oxidante e protectora da vitamina E, sendo o mesmo verdade relativamente ao mineral selénio.
Funções O papel principal da vitamina E é a protecção dos tecidos do corpo de reações que os danifiquem (perioxidação) as quais surgem a partir de muitos processos metabólicos normais e agentes tóxicos exógenos. Especificamente, a vitamina E:
protege as membranas biológicas, tais como as encontradas nos nervos, músculos e sistema cardiovascular. ajuda a prolongar a vida dos eritrócitos (glóbulos vermelhos) e ajuda o organismo a utilizar a vitamina A de forma óptima
A vitamina E tem sido utilizada com sucesso na terapia de:
doenças neuromusculares progressivas nas crianças com disfunções hepáticas ou biliares e em várias de doenças que afectam os bebés prematuros, tais como: anemia hemolítica hemorragia intraventricular e fibroplasia retrolenticular, a qual pode provocar a cegueira.
Existem evidências que indicam que a vitamina E pode ter um papel importante em:
na caludicação intermitente doenças trombóticas função imunitária prevenção do cancro prevenção de doenças cardiovasculares protecção das lipoproteínas contra a oxidação Em estudos em animais, a vitamina E mostrou também ajudar a proteger contra os danos provocados pela poluição ambiental e fumo de cigarros.
Deficiência marginal Dado que a depleção das reservas tecidulares de vitamina E leva bastante tempo, não há registo de sintomas de deficiência clínica em adultos saudáveis. No entanto, estudos laboratoriais revelaram mudanças bioquímicas, incluindo um tempo de sobrevivência curto dos glóbulos vermelhos, perdas musculares e produção acrescida do pigmento ceroso (pigmento do envelhecimento) em certos tecidos.
Baixos níveis plasmáticos de vitamina E têm sido associados com diversos tipos de doenças sanguíneas genéticas, incluindo a anemia falciforme, talassemia e deficiência G6PD (uma enzima envolvida no desdobramento dos açúcares).
Deficiência franca Uma deficiência de vitamina E na dieta alimentar é rara. Os sintomas de deficiência são revelados em pacientes com má absorção de gorduras e em recém-nascidos, particularmente em prematuros.
Investigações recentes mostraram que a deficiência em vitamina E, causada por uma variedade de síndromas de má absorção de gorduras, resulta num tipo raro de doença neuromuscular progressiva em crianças e adultos. Os sintomas incluem uma perda de coordenação e equilíbrio e, em casos graves, a perda da capacidade de andar.
Em bebés prematuros, a deficiência em vitamina E está associada com a anemia hemolítica, hemorragia intraventricular e fibroplasia retrolenticular.
Dose Diária Recomendada (DDR) A ingestão diária recomendada de vitamina E, varia de acordo com a idade e o sexo e com os critérios aplicados em diferentes países. Nos EUA, a DDR para adultos do sexo masculino é actualmente de 20 mg TE (15 IU), de acordo com o Conselho Nacional de Investigação (1989), mas esta recomendação varia desde os 7,5 IU no Brasil, aos 18 IU na Alemanha Ocidental, por exemplo. As recomendações para as grávidas são tão elevadas como 30 IU em certos países.
Suplementos A vitamina E está disponível em cápsulas de gelatina mole, comprimidos mastigáveis ou efervescentes ou em ampolas e encontra-se em muitos suplementos multivitamínicos.
Utilização terapêutica e profilática Existem evidências que a vitamina E é eficaz no tratamento da caludicação intermitente e nos sintomas causados pelos síndromas de má absorção das gorduras.
Os investigadores estão a investigar o papel profiláctico da vitamina E na prevenção de doenças cardiovasculares, na protecção contra agentes de poluição exógenos, bem como no fortalecimento da imunidade dos idosos, e na diminuição do risco de cancro e de cataratas.
Segurança Ensaios clínicos, que utilizaram até 200 vezes a dose de ingestão recomendada pelos EUA para adultos, não mostraram provas consistentes de efeitos adversos da vitamina E. Quando presentes ocasionalmente, os efeitos colaterais desaparecem quando é descontinuada a dose elevada do suplemento. A ingestão elevada de vitamina E pode aumentar o risco de perdas de sangue em pacientes tratados com terapia anticoagulante. Os pacientes tratados com terapia anticoagulante ou naqueles pacientes em espera para cirurgias devem evitar níveis elevados de vitamina E.
Utilização na dermatologia e cosmética A vitamina E tem sido utilizada topicamente como um agente anti-inflamatório, para realçar a hidratação da pele e para prevenir os danos celulares causados pela luz UV.
Utilização na tecnologia farmacêutica O tocoferol é utilizado nos produtos farmacêuticos para estabilizar, por exemplo, os componentes aromáticos e os componentes de vitamina A ou provitamina A.
História A importância da vitamina E nos seres humanos só foi aceite recentemente. Dado que a sua deficiência não se manifesta numa doença de deficiência vitamínica generalizada e bem reconhecida, tal como o escorbuto ou o raquitismo, a ciência apenas começou a reconhecer a importância da vitamina E relativamente tarde.
1911 Hart e os seus colaboradores publicam o primeiro relatório relativo a um “factor de anti-esterilidade” nos animais. 1920 Matthill e Conklin observam anomalias reprodutoras em ratos alimentados com dietas de leite especiais. 1922 A vitamina E é descoberta por Evans e Bishop. 1936 Evans, Emerson, e Emerson, isolam o que vem a ser o alfa-tocoferol na sua forma pura, a partir do óleo de gérmen de trigo. 1938 Fernholz apresenta a formula estrutural da vitamina E, o vencedor de um prémio Nobel, Karrer, sintetiza o dl-alfa-tocoferol. 1945 Dam e os seus colaboradores descobrem peróxidos no tecido gordo de animais, alimentados com dietas pobres em vitamina E. É proposta a primeira teoria da actividade da vitamina E como anti-oxidante. 1962 Tappel propõe que a vitamina E actua como um anti-oxidante in vivo protegendo as células lipídicas dos radicais livres. 1968 O Comité de Alimentação e Nutrição do Conslho Nacional Americano para a Investigação reconhece a vitamina E como um nutriente essencial para os seres humanos. 1974 Fahrenholtz propõe as propriedades de extinção do oxigénio singleto do alfa-tocoferol. 1977 São descritos os síndromas de deficiência em vitamina E nos seres humanos. 1980 Walton e Packer propõem que a vitamina E pode prevenir a geração produtos oxidativos potencialmente carcinogénicos dos ácidos gordos insaturados. 1980 McKay e King sugerem que a vitamina E actua como um anti-oxidante localizado primariamente na membrana celular. 1980s Demonstra-se que a vitamina E é o maior anti-oxidante lipossolúvel que protege as membranas celulares da perioxidação. É demonstrado que a vitamina E estabiliza os radicais livres superóxido e hidróxilo. 1990 É mostrada a eficácia da vitamina E na inibição da oxidação dos LDL. 1990 Kaiser e os seus colaboradores elucidam as propriedades de extinção do oxigénio singleto da vitamina E.
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« Responder #11 em: 21-02-2010 , 20:34 » |
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A vitamina K surge sob várias formas. A vitamina K1 (filoquinona, fitonadiona) encontra-se principalmente nos vegetais. A vitamina K2 (menaquinona), a qual tem cerca de 75% da força da vitamina K1, é sintetizada por bactérias no tracto intestinal dos seres humanos e de vários animais. A vitamina K3 (menadiona) é um composto sintético que pode ser convertido em K2 no tracto intestinal.
Principais fontes na natureza As melhores fontes de vitamina K na dieta são os vegetais de folhas verdes, tais como folhas de nabo, espinafres, brócolos, couve e alface. Outras fontes ricas, são as sementes de soja, fígado de vaca e chá verde. Boas fontes incluem a gema de ovo, aveia, trigo integral, batatas, tomates, espargos, manteiga e queijo. São encontrados níveis menores na carne de vaca, de porco, presunto, leite, cenouras, milho, na maioria dos frutos e em muitos outros vegetais.
Como uma fonte importante de vitamina K2, temos a flora bacteriana do jejuno e do íleo. Não é no entanto clara a extensão da utilização das menaquinonas sintetizadas pelos microrganismos das vísceras.
Estabilidade Os compostos de vitamina K são moderadamente estáveis ao calor e agentes redutores, mas são sensíveis aos ácidos, meios alcalinos, luz e agentes oxidantes.
Função principal A vitamina K é necessária principalmente para o mecanismo da coagulação sanguínea, que nos protege de sangrar até à morte a partir de cortes e feridas, bem como contra as hemorragias internas. A vitamina K é essencial para a síntese da protrombina, uma proteína que converte o fibrinogénio solúvel em circulação no sangue numa proteína bastante insolúvel chamada fibrina, o componente principal de um coágulo sanguíneo.
Os compostos com actividade de vitamina K são essenciais para a formação de protrombina (factor de coagulação II) e de pelo menos outras cinco proteínas (factores VII, IX e X e proteínas C e Z), envolvidas na regulação do sangue. A vitamina K tem um papel importante na produção de resíduos de y-carboxiglutamato a partir do aminoácido ácido glutâmico. Na ausência de vitamina K, os factores proteicos são sintetizados, mas não são funcionais.
Principal antagonista Os anticoagulantes, tal como o dicumarol, o seu derivado 4-hidroxicumarol e as indanedionas diminuem a utilização dos factores de coagulação dependentes da vitamina K.
Antibióticos, doenças intestinais, óleos minerais e radiação inibem a absorção da vitamina K. Elevadas quantidades de vitamina E podem realçar as acções anticoagulantes dos antagonistas da vitamina K, tais como a warfarina. Indivíduos que sofrem de má absorção de gorduras ou de doenças hepáticas também correm o risco de sofrer de deficiência de vitamina K.
Deficiência As deficiência de vitamina K por meio da dieta alimentar são raras e desenvolvem-se mais frequentemente após tratamento prolongado com antibióticos complementado com um ingestão comprometida da dieta alimentar.
Utilizações terapêuticas A filoquinona é a forma preferida da vitamina para utilizações clínicas. É utilizada para injecções intravenosas e intramusculares, como suspensão coloidal, emulsão ou suspensão aquosa e como comprimido para utilização oral. A vitamina K1 é utilizada no tratamento da hipoprotrombinemia (baixas quantidades de protrombina), no seguimento de factores que limitam a absorção ou a síntese da vitamina K. São também administradas dosagens, seja por injecção (10 mg/wk) ou comprimidos (5 mg/dia) de um derivado hidrossolúvel da menadiona (di-fosfato de sódio de menadiol), o qual é convertido para K3 no corpo. A forma desejável da vitamina é a K1, dado que a K3 está associada com níveis anormalmente elevados de bilirrubina no sangue.
A vitamina K1 é utilizada na medicina humana durante operações nas quais se espera que o sangramento possa ser um problema, por exemplo na cirurgia à bexiga.
Os anticoagulantes (cumarina e indanediona) inibem a reciclagem da vitamina K, o que pode ser corrigido rapida e eficazmente pela administração da vitamina K1.
A vitamina K1 é dada frequentemente a grávidas antes do parto (10-20 mg oralmente) e a recém-nascidos (1 mg por injecção intramuscular), de forma a protegê-los contra hemorragias.
Doses Diárias Recomendadas (DDR) A DDR para os adultos do sexo masculino é de 80 mg por dia e para o sexo feminino é de 65 mg por dia. Não existem dados suficientes para estabelecer uma DDR para a vitamina K durante a gravidez e a amamentação. A vitamina K ingerida na dieta alimentar habitual, excede normalmente a DDR.
O intervalo recomendado de ingestão total para os bebés é de 5 mg de filoquinona ou menaquinona por dia durante os primeiros 6 meses e de 10 mg durante os 6 meses seguintes. É também requerido que as fórmulas alimentares infantis contenham 4 mg de vitamina K por 100 kcal. Os valores de DDR para as crianças são estabelecidos em cerca de 1 mg/kg de peso.
Grupos de risco Os bebés são susceptíveis à deficiência de vitamina K, especialmente em países onde as injecções intramusculares de vitamina K não sejam obrigatórias. Os bebés amamentados ao peito que não recebem uma injecção intramuscular à nascença têm um elevado risco de desenvolver hemorragias intracranianas fatais na sequência da deficiência da vitamina K, dado que o leite materno contém níveis baixos de vitamina K e a flora intestinal neonatal está limitada. A doença hemorrágica do recém-nascido é uma causa significativa de morbilidade e mortalidade infantil a nível mundial.
A perda considerável de peso pode contribuir para a diminuição dos factores VII e X, os quais reduzem a actividade coagulante. Pode ser necessária a suplementação com vitamina K.
Segurança Mesmo com elevadas quantidades de vitamina K1 e K2 ingeridas durante um período alargado de tempo, não foram observadas manifestações tóxicas. No entanto, a menadiona administrada (K3) pode causar anemia hemolítica, icterícia e “kernicterus” (uma forma grave de icterícia no recém-nascido).
História 1929 A descoberta da vitamina K é o resultado de uma série de experiências desenvolvidas por Henrik Dam. 1931 É detectado por McFarlane et um defeito de coagulação. 1935 Dam propõe que a vitamina hemorrágica dos frangos é uma nova vitamina lipossolúvel à qual ele chama vitamina K. 1936 Dam et al conseguem a preparação de uma fracção de protrombina de plasma bruto e demonstram que a sua actividade diminui quando é obtida a partir do plasma de um frango com deficiência de vitamina K. 1939 A vitamina K1 é sintetizada por Doisy et al. 1940 Brikhous descobre as doenças hemorrágicas resultantes dos síndromas de má absorção ou fome e que a doença hemorrágica do recém-nascido responde à vitamina K. 1943 Dam recebe o prémio Nobel pela sua descoberta da vitamina K, o factor de coagulação do sangue. 1943 Doisy recebe o prémio Nobel pela sua descoberta da natureza química da vitamina K. 1974 O passo da síntese da protrombina dependente da vitamina K é demonstrado por Stenflo et al e por Nelsestuen et al. 1975 Esmon et al descobrem uma carboxilação proteica dependente da vitamina K no fígado.
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« Responder #12 em: 21-02-2010 , 20:36 » |
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O beta-caroteno é um dos mais de 600 caratenóides existentes na natureza conhecidos. Os caratenóides são os pigmentos que vão do amarelo ao vermelho e que estão distribuídos generalizadamente entre as plantas. Cerca de 50% destes podem potencialmente fornecer actividade de vitamina A, sendo assim referidos como caratenóides de provitamina A. O beta-caroteno é a mais abundante e a mais eficaz provitamina A nos nossos alimentos.
Em teoria, uma molécula de beta-caroteno pode ser clivada em duas moléculas de vitamina A. No entanto, no interior do corpo, o beta-caroteno é apenas convertido parcialmente em vitamina A sendo o resto é armazenado. Para além disso, a proporção do beta-caroteno convertido para vitamina A no corpo é controlado pelo estado de vitamina A e como tal não pode causar a toxicidade da vitamina A nos humanos. Provas disponíveis actualmente sugerem, que para além de ser uma fonte segura de vitamina A, o beta-caroteno desempenha vários papéis biológicos importantes que podem ser independentes do seu estado como provitamina.
Principais fontes na natureza As melhores fontes de beta-caroteno são os vegetais e frutas de forte tom amarelo/laranja e os vegetais de folhas verde escuras:
Vegetais amarelos/laranja – cenouras, batatas-doces, abóboras. Frutas amarelo/laranja – alperces, meloas, papaias, mangas, carambolas, nectarinas, pêssegos Vegetais de folhas verde escuras – espinafres, brocolos, endívias, couve, chicória, escarole, agriões e as partes verdes de linho, nabos, mostarda, dente de leão. Outras boas fontes vegetais e frutas – abóbora menina, aspargos, ervilhas, ginjas, ameixas. O conteúdo em beta-caroteno de frutas e vegetais pode variar dependendo das estação e do grau de amadurecimento. A biodisponibilidade do beta-caroteno a partir das frutas e vegetais, depende do método de preparação antes da ingestão. Assim, quaisquer indicações relativas ao conteúdo em beta-caroteno dos alimentos são, deste modo, apenas valores aproximados.
Na pequena lista seguinte, o conteúdo em beta-caroteno é dado por 100g de substância ingerível.
Vegetais: cenouras (6,6mg), agriões (5,6mg), espinafres (4,9mg), brócolos (1,5mg), Frutas: mangas (2,9mg), melões (2,0mg), alperces (1,6mg), pêssegos (0,5mg).
Estabilidade Os caratenóides podem perder alguma da sua actividade nos alimentos durante o armazenamento, devido à acção das enzimas e à exposição à luz e oxigénio. A desidratação de vegetais e frutas pode reduzir grandemente a actividade biológica dos caratenóides. Por outro lado, a estabilidade dos caratenóides é mantida nos alimentos congelados.
Funções 1. Antioxidante
O beta-caroteno tem propriedades anti-oxidantes que ajudam a neutralizar os radicais livres, moléculas reactivas e altamente energizadas, as quais se formam através de certas reacções bioquímicas normais (p.ex. na resposta imunitária, a síntese da prostaglandina) ou através de fontes exteriores, tais como a poluição atmosférica ou o fumo do cigarro. Os radicais livres podem danificar os lípidos nas membranas celulares, bem como o material genético nas células, podendo os danos resultantes levar ao desenvolvimento do cancro.
2. Extinção do oxigénio singleto
O beta-caroteno pode extinguir o oxigénio singleto, uma molécula reactiva, que é gerada, por exemplo, na pele por exposição à luz ultravioleta e que pode induzir alterações pré-cancerígenas nas células. O oxigénio singleto tem a capacidade de despoletar a geração de reacções em cadeia de radicais livres.
Os benefícios de saúde do beta-caroteno Muito cientistas acreditam que o consumo de frutos e vegetais ricos em beta-caroteno exerce um efeito protector contra o desenvolvimento de certos cancros. Uma elevada ingestão/estado deste nutriente tem sido associada com um decréscimo na incidência de certos cancros, especialmente o cancro do pulmão. Descobertas preliminares de um teste de intervenção double-blind e controlado por placebo e de um estudo de grupo de prospecção de casos controlados sugere que o beta-caroteno pode reduzir o risco de doenças coronárias.
Dose Diária Recomendada A ingestão dietária para o beta-caroteno tem sido expressa até agora como parte da Dose Diária Recomendada (DDR) para a vitamina A. A DDR para o sexo masculino (+ 11 anos) é de 1.000 RE ou 1.000 mg de retinol ou 6 mg de beta-caroteno, enquanto a DDR para o sexo feminino (+ 11 anos) é ligeiramente inferior, 800 RE ou 800 mg de retinol ou 4,8 mg de beta-caroteno. Existem necessidades adicionais durante a gravidez e a aleitamento, 200 RE e 400 RE, respectivamente. Os bebés até aos três anos necessitam de aproximadamente 400 RE e as crianças (4-10 anos) necessitam de 500-700 RE. Aproximadamente um terço da vitamina A na dieta média americana é fornecida pelo beta-caroteno. Se a recomendação dietária do Instituto Nacional do Cancro fosse seguida, a relação entre beta-caroteno/vitamina A na dieta seria de 9/1. Para além das suas funções como provitamina A, continuam a surgir dados que suportam o papel do beta-caroteno como um micro-nutriente importante de direito próprio. Não existe, no entanto, ainda uma DDR para o beta-caroteno. De qualquer modo o consumo de alimentos ricos em beta-caroteno continua a ser recomendado por cientistas e organizações governamentais, tais como o Instituto Nacional do Cancro e o Departamento Nacional Americano para a Agricultura.
Se estas recomendações fossem seguidas, a ingestão dietária de beta-caroteno (cerca de 6 mg) seria várias vezes o valor da quantidade média consumida nos Estados Unidos (cerca de 1,5mg por dia).
Grupos de risco de baixo estado Embora a população americana, em média, não consuma beta-caroteno suficiente, certos grupos de pessoas estão especialmente em risco no que se refere à inadequação da sua dieta de beta-caroteno. Por exemplo, foram relatados baixos níveis de beta-caroteno no sangue em fumadores, alcoólicos e utilizadores de certos medicamentos (contraceptivos orais, medicamentos contra a hipertensão).
Utilização profiláctica Sistema Imunitário Foi descoberto em vários estudos com seres humanos e com animais, que a suplementação com beta-caroteno realça certas respostas imunitárias.
Cancro Estudos epidemiológicos mostraram que à medida que o consumo de frutas e vegetais ricos em beta-caroteno aumenta, decresce a incidência de certos cancros (i.e. pulmões, estômago). Para além disso, experiências em animais mostraram que o beta-caroteno actua como um agente preventivo contra o cancro. Actualmente muitos estudos de intervenção clínica estão a decorrer para testar a eficácia do beta-caroteno na prevenção do cancro.
Utilização Terapêutica Problemas de fotossensibilidade Têm sido efectuados vários estudos em pacientes com reacções de pele anormais à luz do sol, denominadas problemas de fotossensibilidade (i.e. protoporfíria eritropoiética). O beta-caroteno tem mostrado exercer um efeito fotoprotector nestes indivíduos.
Segurança Devido à conversão regulada do beta-caroteno em vitamina A, o sobreconsumo não provoca a hiperavitaminose A. Consumos excessivos de caratenóides em certos tipos de doentes (hiperlipedemia, diabetes mellitus, síndroma nefrótico ou hipertiroidismo) podem causar hipercaratenoidemia a qual se manifesta por uma coloração amarelada na pele, principalmente nas palmas das mãos e solas dos pés. A cor amarelada desaparece quando o consumo de caratenóides é reduzido ou interrompido.
Foram conduzido estudos em seres humanos de forma a avaliar a segurança do beta-caroteno. Estudos realizados em pacientes com sensibilidade à luz, tais como a protoporfíria eritropoiética, não mostraram efeitos adversos com a ingestão de 50-200mg/dia de beta-caroteno durante vários anos.
Suplementos O beta-caroteno está disponível em cápsulas duras e em cápsulas de gelatina mole, bem como em comprimidos de multivitamínicos.
História 1831 Wackenroder descobre os pigmentos amarelo/laranja nas cenouras e dá-lhes o nome de carotenos. 1847 Zeise apresenta uma descrição mais detalhada do caroteno. 1866 O caroteno é classificado como um hidrocarboneto por Arnaud e seus colaboradores. 1887 Arnaud descreve a presença generalizada dos carotenos nas plantas. 1907 Willstatter e Mieg estabelecem a forma molecular do caroteno, uma molécula formada por 40 átomos de carbono e 56 átomos de hidrogénio. 1914 Palmer e Eckles descobrem a existência de caroteno e xantofila no plasma do sangue humano. 1919 Steenbock (Universidade de Wisconsin) sugere uma relação entre os pigmentos amarelos das plantas (beta-caroteno) e a vitamina A. 1929 Moore demonstra que o beta-caroteno se converte no fígado na forma sem cor de vitamina A. 1931 Karrer e os seus colaboradores (Suíça) determinam as estruturas do beta-caroteno e da vitamina A. 1939 Wagner e os seus colaboradores sugerem que a conversão do beta-caroteno na vitamina A ocorre no interior da mucosa intestinal. 1950 Isler e os seus colaboradores desenvolvem um método para a síntese do beta-caroteno. 1966 O beta-caroteno é considerado como aceitável para utilização nos alimentos pelo Comité Conjunto FAO/WHO de Especialistas em Aditivos Alimentares 1972 São estabelecidas especificações pelo Código Americano de Químicos Alimentares para a utilização de beta-caroteno nos alimentos. 1978 O beta-caroteno é considerado como ‘GRAS’ o que significa que o ingrediente é “Globalmente Reconhecido como Seguro” e pode ser utilizado como suplemento da dieta alimentar ou na fortificação dos alimentos. 1981-82 O beta-caroteno/caratenóides são reconhecidos como factores importantes (independentemente da sua actividade como provitamina A) na redução potencial do risco de certos cancros. R. Doll e R. Peto: “Can Dietary Beta-Carotene Materially Reduce Human Cancer Rates?” (Pode o beta-caroteno na dieta alimentar reduzir substancialmente as taxas de cancro nos seres humanos?) (in: Nature, 1981), R. Shekelle et al: “Dietary Vitamin A and Risk of Cancer in the Western Electric Study” (A Vitamina A na Dieta Alimentar e o Risco de Cancro no Estudo da Wester Electric) (in: Lancet, 1981), “Diet, Nutrition and Cancer” (Dieta alimentar, nutrição e cancro) (1982): Revisão da Academia Nacional das Ciências Americanas mostrando que a ingestão de alimentos ricos em caratenóides está associada à redução do risco de certos cancros. 1982 Krinsky e Deneke mostram a interacção entre o oxigénio e os radicais de oxigénio com os carotenóides. 1983-84 O Instituto Nacional do Cancro (E.U.A) lança vários ensaios de intervencão clínica em larga escala, utilizando suplementos de beta-caroteno isolados e em combinação com outros nutrientes. 1984 É demonstrado que o beta-caroteno é um antioxidante eficaz in vitro. 1988 Devido ao elevado número de estudos epidemiológicos que demonstram a redução potencial da incidência de cancro relacionada com o aumento da ingestão de beta-carotenos na dieta alimentar, o Instituto Nacional do Cancro (E.U.A) emite instruções dietárias aconselhando os americanos a incluir uma variedade de vegetais e frutas na sua dieta diária.
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