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Autor Tópico: A evolução da sexualidade infantil  (Lida 1095 vezes)
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« em: 03-03-2010 , 18:21 »

Um assunto premente numa sociedade em que, cada vez mais cedo, as crianças são confrontadas com alusões mais ou menos directas ao tema, nomeadamente na televisão (anúncios e telenovelas)



Rodeada de tanta informação, aliada ao normal desenvolvimento, surge a curiosidade da criança em relação à sexualidade. Alguns pais disfarçam e mudam de assunto, sem saber como responder às dúvidas. Outros estimulam, achando que tudo é natural ou respondendo de forma demasiado científica às questões das crianças.

Desde há muito que sabemos que a sexualidade infantil é uma construção psíquica, que se inicia no nascimento e evolui até ao final da adolescência, levando, na maioria dos casos, à escolha de um objecto heterossexual na idade adulta. Uma sexualidade bem construída é fundamental para o desenvolvimento da personalidade e da capacidade de estabelecer relações afectivas estáveis.

Como evolui a sexualidade infantil?

Desde que o bebé nasce que tem sensações, emoções e sentimentos ligados ao sexo biológico, isto é, tem sexualidade. Assim, o bebé irá evitar a dor e procurar o prazer. Freud chamou, a esta fase, Fase Oral, em que o bebé aprende a esperar pela satisfação dos seus desejos e onde procura explorar e conhecer o seu corpo (observa as mãos e os pés, leva-os à boca, experimenta os timbres da sua voz, toca nos órgãos genitais). Por volta dos dois anos a criança começa a controlar os esfíncteres, ou seja, compreende que é ela que deve reter o chichi e o cocó. Esta fase, a que Freud chamou Fase Anal, é muito importante para a sua sexualidade, pois, para além de ser uma fonte de prazer, permite à criança compreender que é ela que controla o seu corpo.

Aos três anos, ela apercebe-se da diferença anatómica entre sexos, o que traz repercussões psicológicas importante ao nível da organização da sexualidade infantil (marcada por uma curiosidade natural pelo seu corpo e pelo do outro) e da posterior construção de uma identidade individual e sexual adequada. Aos 4 e 5 anos a criança começa a aceitar-se a si mesma numa dimensão psico-sexual, enquanto rapaz ou rapariga e a experimentar comportamentos e sentimentos associados a essa definição, havendo uma identificação com o progenitor do sexo oposto, que já tinha sido iniciada aos três anos. Freud designou este período por Fase Fálica, onde se consolida grande parte da identidade sexual. Os pais e educadores devem encarar como natural a sexualidade da criança e esclarecer, de maneira clara e simples, a curiosidade sexual da criança na medida em que ela surge.

Uma óptima estratégia é devolver a questão à criança, perguntando-lhe: “O que é que tu achas sobre isso?” Dessa forma, é possível adaptar a resposta ao grau de conhecimento e de desenvolvimento da criança; é importante adequarmos a informação: esta deve ser exacta, sem tabus e receios de utilizar as expressões correctas. Se a atitude do adulto for de constrangimento, respondendo com evasivas, estará a passar à criança uma mensagem de que a sexualidade é negativa ou proibida. Se o adulto optar por fugir do tema, ela irá procurar satisfazer a sua curiosidade noutro lado. Se não souber exactamente como explicar, digam à criança que irão procurar um livro, adequado à sua idade, que ajude a entender o assunto.

Necessidades e curiosidade

Ocorrem com alguma frequência a exploração e a manipulação dos órgãos genitais, a exibição ou o toque no corpo de outra criança. As crianças também têm necessidades sexuais, curiosidade e prazer na estimulação do seu próprio corpo.
A atitude dos adultos perante este facto é muitas vezes de embaraço e de recriminação, provocando um sentimento de culpabilidade e a ideia de que a sexualidade é negativa. Nestes casos deve conversar calmamente com a criança e explicar-lhe que não faz mal ela mexer no corpo, mas que só o deve fazer quando estiver sozinha.
Diga-lhe que percebe que ela esteja interessada em conhecer o seu corpo e o das outras pessoas e mostre-se disponível para conversar, para que ela não sinta necessidade de satisfazer a sua curiosidade natural com o grupo de pares.

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