A responsabilidade do abuso é sempre do adulto, nunca da criança.
O abuso sexual é um acto através do qual um adulto obriga ou persuade uma criança a realizar uma actividade sexual não adequada à sua idade e que viola os princípios sociais. Pode apresentar diversas formas, das quais são exemplo: exibicionismo, carícias inapropriadas, violação, incesto, uso de crianças para material pornográfico, prostituição infantil, entre outros. O abuso percorre todas as classes sociais, sendo que na maioria dos casos os agressores são da família da vítima, seus amigos ou conhecidos. A responsabilidade do abuso é sempre do adulto, nunca da criança. Para persuadir a criança pode ser utilizada violência física, mas também outras estratégias, como a surpresa, a ameaça, o suborno, a chantagem.
As crianças não mentem
As crianças raramente mentem acerca destas situações. As mais novas não compreendem o que isso significa e as mais velhas estão, normalmente, muito assustadas e envergonhadas para revelarem a situação e, muito menos, para inventarem falsos abusos. Se o agressor é um familiar ou amigo da vítima a situação torna-se ainda mais complicada para a criança, gerando sentimentos de ambivalência e uma grande confusão.
Quais as consequências?
As consequências iniciais de uma situação de abuso são vergonha e perda de confiança em si próprio, no agressor e, normalmente, nas pessoas do mesmo sexo do agressor. Surgem muitas vezes sentimentos de culpabilidade e baixa auto-estima, o que conduz a comportamentos de isolamento, auto-marginalização, dificuldades de relacionamento. Na maioria dos casos acabam por surgir também dificuldades escolares, perturbações do sono e distúrbios alimentares, problemas comportamentais. A longo prazo pode instalar-se uma depressão grave e as disfunções sexuais na idade adulta são frequentes.
O que podem os pais fazer?
Aquilo que assusta e pode mesmo confundir as crianças são as orientações vagas, no sentido de não aceitarem nada de estranhos. O tema do abuso sexual deve ser abordado com a criança no sentido da sua segurança pessoal, da mesma forma como são falados temas como os perigos do trânsito ou outras questões de segurança e de defesa. A informação deve ser concreta e deve ser apresentada com sensibilidade, para que as fantasias da criança não se baseiem em questões pouco explícitas e para que não construa medos sem fundamento. Os pais devem procurar informar-se sobre o despertar da sexualidade na criança, devem saber ouvir os filhos e conversar sobre o funcionamento do corpo. Devem também transmitir aos seus filhos a importância da comunicação e do envolvimento afectivo e amoroso na vivência da sexualidade, para que haja um desenvolvimento psico-sexual harmonioso e uma aceitação equilibrada da sexualidade.
Ensinar a dizer NÃO
As crianças podem e devem ser ensinadas a utilizar os seus próprios recursos para se defenderem destas situa-ções. Devem sentir-se preparadas para dizer não se alguém quiser tocar-lhes ou invadir a sua intimidade. No entanto, é necessário ter cuidado para que a criança saiba distinguir o abuso de um contacto normal. O mais importante é fazê-las sentir que há sempre alguém a quem podem recorrer quando precisarem de ajuda, sem terem que dar grandes explica-ções ou sentirem-se culpabilizadas.
Manter a normalidade
A pessoa a quem a criança confia o seu "segredo" deve acreditar na criança e nunca desconfiar dela. Deve ouvi-la com calma e atentamente, não dramatizar e dar-lhe apoio emocional. É necessário transmitir-lhe confiança e fazê-la sentir e perceber que não tem qualquer culpa ou responsabilidade pelo sucedido. A coragem da criança em contar a sua experiência deve ser reforçada. Não se deve tratar a criança de forma diferente do habitual nem mostrar sobreprotecção.